Dente de leite: troca dos primeiros dentinhos exige atenção para evitar problemas na dentição permanente
A troca dos dentes de leite é um marco importante do desenvolvimento infantil e costuma acontecer de forma natural entre os 5 e os 7 anos de idade. Apesar de ser um processo esperado, muitos pais ainda têm dúvidas sobre o que é considerado normal e acabam cometendo erros que podem comprometer a saúde bucal das crianças.
De acordo com a odontopediatra Tainá de Castelo Branco Araújo, professora do curso de Odontologia da Afya Uninovafapi, embora a queda dos primeiros dentes geralmente comece pelos incisivos inferiores, o primeiro dente permanente a surgir costuma ser o primeiro molar, que nasce atrás dos dentes de leite e, por isso, muitas vezes passa despercebido pelos pais.
“Como esse molar não substitui nenhum dente de leite, muitas famílias acreditam que ele ainda faz parte da dentição decídua e acabam dando menos atenção à sua higiene. Isso aumenta o risco de cárie logo após a erupção”, explica a especialista, que é mestre pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), doutoranda e especialista em Odontopediatria.
Outro sinal que costuma preocupar os pais é quando o dente permanente começa a nascer antes da queda do dente de leite, situação conhecida popularmente como “dente de tubarão”. Segundo Tainá, o problema costuma ter solução simples e precisa ter acompanhamento de odontopediatra. Assim como casos de atraso significativo na troca dos dentes, perda precoce, dor, inchaço ou dentes permanentes nascendo muito fora da posição também devem ser avaliados por especialista.
Durante esse período, a higiene bucal não deve ser negligenciada. “É comum que a criança tenha receio de escovar a região do dente mole por medo de sentir dor, mas isso favorece o acúmulo de biofilme. Os cuidados precisam ser mantidos e até reforçados”, orienta.
A especialista também alerta para outro hábito frequente: a tentativa de arrancar o dente em casa antes da hora. Segundo ela, o ideal é esperar que o próprio processo natural da mastigação favoreça a queda ou incentivar que a própria criança vá amolecendo o dentinho. “Quando o dente ainda está muito preso, forçar a remoção pode causar dor, sangramento e machucar a gengiva. Na dúvida, o mais indicado é procurar um odontopediatra”, reforça a especialista.
Além disso, Tainá reforça que os dentes de leite desempenham um papel essencial no desenvolvimento infantil. “Eles são importantes para a mastigação, a fala, o crescimento da face e para manter o espaço adequado para a erupção dos dentes permanentes. Por isso, não devem ser encarados como dentes sem importância apenas porque irão cair”, destaca.
A recomendação é que as consultas odontológicas continuem acontecendo regularmente durante toda a fase de troca da dentição. O acompanhamento permite verificar se a sequência de nascimento dos dentes está ocorrendo de forma adequada, identificar alterações precocemente e prevenir tratamentos mais complexos no futuro.
Com informações da Ascom
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