Contas públicas registram superávit de R$ 32,4 bilhões em outubro

As contas do setor público consolidado registraram um superávit primário de R$ 32,4 bilhões em outubro, informou o Banco Central nesta sexta-feira (28). O resultado, que não considera o pagamento de juros da dívida, é inferior ao mesmo mês de 2023, quando houve saldo positivo de R$ 36,9 bilhões, marcando uma piora na comparação anual.

Desempenho das contas em outubro

O resultado foi impulsionado pelo saldo positivo do governo federal, que registrou R$ 36,2 bilhões, enquanto estados e municípios apresentaram saldo deficitário de R$ 3,6 bilhões. As empresas estatais também tiveram déficit de R$ 150 milhões.

Apesar do superávit parcial, as contas do governo acumulam um déficit primário de R$ 46,9 bilhões nos primeiros dez meses do ano, equivalente a 0,45% do Produto Interno Bruto (PIB). Em igual período de 2023, esse déficit foi de R$ 56,7 bilhões.

Resultado após pagamento de juros e a dívida pública

Ao considerar os juros da dívida pública — conhecido como resultado nominal — o déficit em outubro sobe para R$ 81,5 bilhões. No acumulado de 12 meses até outubro, o déficit chegou a R$ 1,02 trilhão, o que equivale a 8,18% do PIB, situação acompanhada de perto por agências de classificação de risco.

As despesas com juros nominalmente somaram R$ 987,2 bilhões nos últimos doze meses, o que representa 7,88% do PIB. A dívida pública consolidada atingiu 78,6% do PIB em outubro, o maior nível desde 2021, quando estava em 79,5%, e corresponde a R$ 9,9 trilhões.

Perspectivas e desafios fiscais

Especialistas alertam que, incluindo os títulos públicos no cálculo do FMI, a dívida brasileira estaria em 91,1% do PIB, próximo ao limite para países emergentes. Para o Fundo, o endividamento seria ainda maior, ultrapassando 100% do PIB em 2034.

O governo busca conter o crescimento da dívida por meio do arcabouço fiscal, aprovado em 2023, que limita o aumento de despesas à taxa de 70% do crescimento da arrecadação e a uma elevação real de até 2,5% ao ano. No entanto, há preocupações de que, sem cortes mais profundos, essa regra seja insustentável a longo prazo.

Analistas estimam que, futuramente, a dívida pública brasileira pode atingir cerca de 93,5% do PIB até 2034 com o modelo atual, de acordo com previsões do mercado financeiro.

Fonte: G1 Economia

Com informações do Jornal Diário do Povo

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