Conflito no Oriente Médio impulsiona retorno ao carvão
A intensificação do conflito no Oriente Médio, com ataques ao Irã e ao Catar, desestabilizou os mercados globais de petróleo e gás, forçando países da Europa e Ásia a reconsiderarem o uso do carvão. Crises energéticas anteriores já dificultavam a transição para fontes limpas, mas a atual escalada de preços e a insegurança no fornecimento de gás natural reavivam a dependência do carvão, o combustível fóssil mais poluente.
Países como Japão, Bangladesh e Índia já ampliam o uso de usinas a carvão para suprir a demanda energética. Na Europa, Holanda, Polônia, República Tcheca e Alemanha consideram aumentar a geração a partir do carvão, reativando usinas desativadas e buscando alternativas para conter os altos preços do gás.
Samantha Dart, co-chefe global de pesquisa de commodities do Goldman Sachs, aponta que a crise pode levar a uma reavaliação das estratégias energéticas de longo prazo na Ásia, com maior dependência do carvão e aceleração na expansão de energias renováveis.
ideia do gás natural como combustível de transição para economias emergentes torna-se insustentável diante da volatilidade de preços e da escassez. O Japão, um dos maiores importadores de gás, anunciou a expansão do uso de usinas a carvão, enquanto Bangladesh busca empréstimos para importar combustível suficiente para o verão.
A Índia, grande produtora e consumidora de carvão, fortalece sua aposta no combustível, planejando adiar paradas de manutenção em usinas e operar termelétricas a carvão em capacidade máxima. Na China, a diversificação energética e o reforço na produção doméstica de carvão oferecem maior proteção.
Os Estados Unidos, beneficiados pela produção de shale gas, mantêm preços de gás relativamente estáveis. Contudo, o apoio político ao carvão impulsiona novos investimentos, como um projeto de usina a carvão anunciado pela Terra Energy Center.
Analistas preveem que a demanda global por carvão, que se esperava em declínio, pode ter um impulso temporário, afetando as metas de redução de emissões e prolongando a despedida do combustível fóssil. A prioridade atual, segundo Doug Arent, pesquisador sênior do WRI Polsky Center, é manter a estabilidade energética e econômica.
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