Cinco anos do PIX: Mais de 245 milhões de chaves canceladas após novas medidas de segurança

Neste domingo (16), o PIX, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil (BC), celebra cinco anos de funcionamento, marcados por novidades em segurança e pelo grande volume de transações. Com mais de 890 milhões de chaves cadastradas, o sistema movimentou R$ 85,5 trilhões até setembro de 2025, consolidando-se como uma peça fundamental na rotina financeira de mais de 170 milhões de brasileiros.

Avanços e desafios na segurança do PIX

Com a expansão do uso do PIX, sobretudo após as novas medidas de combate a fraudes implementadas pelo BC, mais de 245 milhões de chaves foram canceladas, segundo dados recentes. Essas ações fazem parte de um esforço contínuo para proteger os usuários das crescentes ameaças no ambiente digital.

Segundo Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC, uma das principais novidades em segurança foi a implementação da coincidência cadastral, que exige o alinhamento das informações da chave com os dados da Receita Federal, dificultando a abertura de contas com identidades falsas. “Temos reforçado o manual de penalidades e criado mecanismos de alerta para transações suspeitas”, afirmou Gomes.

Transformações no uso e na economia com o PIX

Desde seu lançamento, o PIX ampliou suas funcionalidades, deixando de ser apenas uma ferramenta de transferências instantâneas para se tornar um sistema multifuncional. Agora, permite pagamentos automáticos, agendamentos, pagamento por aproximação, além de operações de saque e troco em estabelecimentos comerciais.

Dados do BC indicam que, em 2024, o sistema movimentou mais de R$ 26 trilhões — valor próximo a dois PIBs e meio do Brasil — mostrando sua importância na economia. Além disso, a circulação de dinheiro físico caiu 35% desde 2020, destacando a mudança de comportamento dos consumidores em favor dos meios eletrônicos.

Impacto na inclusão financeira e no comércio

Para especialistas, o PIX foi fundamental para ampliar a inclusão financeira no país, atingindo todas as faixas etárias e níveis socioeconômicos. Carla Beni, professora da FGV e integrante do Corecon-SP, reforça que o sistema tornou-se uma ferramenta de participação econômica, especialmente para quem antes tinha contato limitado com bancos.

O crescimento também trouxe benefícios ao comércio, pois aceitar PIX custa em média um quarto do valor cobrado em operações com cartão de débito e crédito. Em 2025, só no segundo trimestre, foram registrados 19,3 bilhões de pagamentos via PIX, superando as transações com cartões e boletos.

Novas funcionalidades e os próximos passos

O BC trabalha na implementação de novas funcionalidades para fortalecer a segurança e a praticidade do sistema, como o bloqueio de chaves associadas ao CPF, mecanismos para rastrear recursos em múltiplas camadas e o esperado PIX Parcelado, que permitirá o pagamento fracionado com regras padronizadas.

Além disso, há em estudo o PIX Duplicata, que deve facilitar a troca de duplicatas eletrônicas, e a internacionalização do sistema, com o objetivo de utilizar o modelo brasileiro em operações fora do país.

Para enfrentar as fraudes, o BC anunciou a previsão de lançamento do MED 2.0, uma versão aprimorada do mecanismo de devolução, que mapeia toda a cadeia de transações, dificultando o desaparecimento de valores após golpes. Mesmo assim, o banco reforça a necessidade de os usuários entenderem que essas ferramentas são destinadas a casos de fraude, não para disputas comerciais.

O sistema do PIX, robusto e em constante evolução, deve continuar crescendo, impulsionado por projetos que integram pagamentos, crédito e operações internacionais, mantendo o Brasil na vanguarda dos sistemas de pagamento digital no mundo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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