Câmara aprova novas medidas contra o devedor contumaz
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (9) uma proposta que reforça o combate ao chamado devedor contumaz, ou seja, contribuintes que deixam de pagar impostos de forma planejada e contínua para driblar a legislação tributária. A medida aguarda sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Definição e critérios para o devedor contumaz
O projeto define quem é devedor contumaz, incluindo contribuintes que utilizam inadimplência reiterada e injustificada como estratégia de negócio. No âmbito federal, isso se caracteriza por dívidas tributárias superiores a R$ 15 milhões e que representam mais de 100% do patrimônio conhecido da empresa. Nos estados e municípios, os critérios serão diferenciados.
Punições e restrições aos devedores contumazes
Os contribuintes enquadrados como devedores contumazes poderão sofrer diversas penalidades, como:
- proibição de usufruir de benefícios fiscais;
- restrição à participação em licitações públicas;
- proibição de solicitar ou dar seguimento à recuperação judicial;
- possibilidade de tornar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) inapta.
Além dessas ações, haverá abertura de processos de cobrança tributária na esfera federal, visando recuperar os valores devidos.
Dados e justificativas do projeto
Segundo o relator do projeto no Senado, Efraim Filho (União-PB), há cerca de 1,2 mil CNPJs registrados com dívidas que somam aproximadamente R$ 200 bilhões nos últimos dez anos, conforme dados da Receita Federal. Essas empresas utilizam estratégias para evitar o pagamento de tributos, prejudicando a concorrência e o ambiente de negócios.
O deputado Antonio Carlos Rodrigues destacou que a proposta é essencial para combater a concorrência desleal e evitar que empresas utilizem a inadimplência de forma ilícita para obter vantagens indevidas, distorcendo o mercado.
Incentivos aos bons pagadores
O projeto também cria mecanismos para reconhecer e estimular os contribuintes que mantêm regularidade tributária. Essas empresas terão acesso a canais de atendimento simplificados, com orientações para regularizar suas obrigações, além de regras mais flexíveis e garantias durante processos fiscais, que poderão ser executados somente após decisão transitada em julgado.
Contexto e próximos passos
A iniciativa faz parte do esforço do governo federal para combater organizações criminosas e grandes evasores, como o caso do Grupo Refit, considerado o maior devedor de impostos de São Paulo, que resultou em prejuízo estimado de R$ 26 bilhões após operação de novembro próximo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que as regras ajudarão a limitar a lavagem de dinheiro por meio da abertura e fechamento frequente de empresas.
A proposta foi aprovada com apoio de diferentes bancadas durante sessão que contou com urgência, aprovada no final de outubro. O projeto agora segue para análise do presidente Lula, que decidirá pela sanção ou veto das novas medidas.
Para mais informações, acesse o artigo completo no G1.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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