Banco Central decreta liquidação do Banco Master após alegações de fraude

O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Master, instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro, após suspeitas de fraudes de R$12 bilhões relacionadas à emissão de créditos falsos. A decisão foi tomada após análises do próprio banco e investigações em andamento envolvendo a Polícia Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Defesa de Vorcaro contesta alegações e critica medidas cautelares

De acordo com a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, não há comprovação de fraude de R$ 12 bilhões, como divulgado pela Polícia Federal. “Não há nenhuma fraude de R$ 12 bilhões”, afirmou o advogado em nota à imprensa. A defesa também argumenta que as medidas cautelares autorizadas pela Justiça se baseiam em premissas incorretas, alegando que as operações de crédito realizadas pelo banco envolviam práticas comuns no mercado financeiro.

A defesa explica que o Banco Master adquiriu carteiras de crédito junto a terceiros, que atuaram na originação de créditos, uma prática habitual no setor. Contudo, não há informações oficiais sobre quem eram esses originadores, o que leva a contestar a alegação de que os créditos seriam falsos ou fraudulentos.

Investigações e origem das fraudes

As investigações tiveram início em 2024 e permanecem em andamento. A Polícia Federal, em conjunto com o Banco Central e o Coaf, atua na apuração de emissão de títulos de créditos falsos por instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional, com o Banco Master sendo o alvo principal. Estima-se que fraudes tenham movimentado cerca de R$ 12 bilhões em operações fraudulentas, incluindo simulações de empréstimos e negociações de carteiras de crédito com bancos, como o BRB.

Segundo a Polícia Federal, alguns dos créditos utilizados pelo banco possivelmente foram fraudulentos, levando à prisão de Vorcaro na operação. A defesa afirma que as carteiras adquiridas foram devidamente registradas na B3, e que o banco substituiu operações irregulares por garantias legítimas, além de iniciar processos de recompra de saldos remanescentes. Além disso, destaca que o valor recuperado pelo BRB, de R$ 10 bilhões, não corresponde à totalidade das operações de cessão de créditos com o Master, que totalizavam R$ 12,76 bilhões.

Repercussões e contexto do relacionamento com o BRB

O Banco de Brasília (BRB), um dos principais credores do Banco Master, afirmou que recuperou mais de R$ 10 bilhões das operações realizadas, em meio a questionamentos sobre a documentação dessas operações. O banco estatal informou que enviou uma documentação que apresentava irregularidades, motivo pelo qual liquidou ou substituiu os créditos. A instituição reforçou a sua solidez e explicou que o restante da dívida não representa exposição direta ao Banco Master.

Segundo a defesa de Vorcaro, as carteiras de crédito objeto da investigação não foram transferidas definitivamente ao BRB, o que inviabiliza a afirmação de que o pagamento do banco estivesse vinculado às operações fraudulentas. Ainda assim, a operação de liquidação do banco ocorreu logo após a venda ser reforçada pelo próprio Fictor Group, que inicialmente tinha intenção de adquirir o Banco Master, desistindo posteriormente devido à crise.

Contexto e possíveis desdobramentos

O Grupo Fictor, que previa a compra do banco, anunciou sua intenção de investir inicialmente R$ 3 bilhões na aquisição, mas abandonou o negócio após a crise financeira do Master. A operação de liquidação traz à tona questionamentos sobre a influência de investigações criminais na solvência das instituições financeiras e no espaço de atuação do sistema financeiro nacional.

O Banco Central e a Polícia Federal ainda não se manifestaram oficialmente sobre as alegações da defesa de Vorcaro. Investidores e o mercado permanecem atentos aos desdobramentos do caso, que mostra uma complexa disputa envolvendo práticas de crédito, investigações criminais e a solvência de instituições financeiras no Brasil.

Para mais informações, acesse o nota oficial do Banco Central e acompanhe os detalhes na fonte original.

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário