EUA reforçam presença na América do Sul em disputa pelo petróleo

Na semana em que os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro em Caracas, o Departamento de Estado americano publicou uma foto de Donald Trump com a frase: “Este é o nosso hemisfério”. A mensagem remete à renovação da Doutrina Monroe, de domínio das Américas pelos EUA, mas analistas destacam que, na prática, o controle de recursos energéticos é o principal objetivo na região.

Disputa pelo petróleo e interesses estratégicos

Segundo especialistas, a intervenção militar na Venezuela, considerada inédita na América do Sul, reflete uma estratégia americana de consolidar sua influência na geopolítica energética do continente. Com a maior reserva de petróleo conhecida do mundo, o país ainda produz abaixo de seu potencial, o que desperta atenção de potências globais.

Trump não esconde que a dominância no setor é uma prioridade. “Controle do comércio da commodity mais importante do planeta está no centro da motivação da intervenção militar”, afirma Antonio Ramos, analista de relações internacionais. Além disso, ações como a proibição de tribunais confiscar receita do petróleo venezuelano visam reforçar a presença dos EUA na região.

Ascensão da China na região

Nos últimos anos, a China tem aumentado seus investimentos na América do Sul, passando de cliente a potencial detentora de reservas estratégicas. Dados da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) indicam US$ 1,3 bilhão em investimentos chineses na energia da região entre 2020 e 2024, de um total de US$ 47,5 bilhões. No Brasil, empresas chinesas como CNOOC, CNPC e Sinopec respondem por cerca de 6,2% da produção de petróleo, produzindo aproximadamente 305 mil barris por dia.

Ao mesmo tempo, a presença norte-americana permanece robusta, com companhias como Exxon e Chevron operando em várias frentes no Brasil. Analistas apontam que os EUA buscam assegurar seu domínio, inclusive recorrendo a meios militares, enquanto a China busca diversificar seus investimentos e fortalecer sua presença silenciosa na região.

O impacto na economia global e no Brasil

Os EUA pretendem influenciar o mercado de petróleo para diminuir seus custos de energia, com uma possível redução no preço do barril de US$ 60 para US$ 50. Contudo, especialistas alertam para o elevado risco político e a fragilidade econômica da Venezuela, que necessita de investimentos superiores a R$ 100 bilhões para retomar sua produção.

Enquanto isso, no Brasil, as recentes rodadas de leilões têm destacado a presença de empresas americanas e chinesas em novas áreas de exploração, como as bacias marítimas de Pelotas e Foz do Amazonas. O crescimento do investimento chinês na região — que já responde por cerca de 60% das exportações brasileiras de petróleo — reforça a disputa por reservas estratégicas.

Perspectivas futuras na disputa pelo petróleo

Especialistas avaliam que essa disputa é uma rede de interesses econômicos e políticos que promete se intensificar. A China busca diversificar seus investimentos na América do Sul, enquanto os EUA reforçam sua presença com ações políticas e militares, pretendendo manter a região sob influência predominante americana.

Segundo o pesquisador Leonardo Paz, da FGV, essa competição deve continuar com a expansão de novos projetos de exploração e investimentos em infraestrutura, num cenário de crescente disputa pelo controle de recursos energéticos estratégicos na América do Sul.

Para saber mais, acesse a matéria completa no link oficial.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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