EUA negociaram manutenção do chavismo na Venezuela antes do ataque

Muito meses antes do ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, companhias petroleiras, incluindo a americana Chevron, e representantes do regime chavista iniciaram negociações sobre o futuro do setor estratégico venezuelano. As informações, confirmadas por fontes em Caracas, revelam que essas conversas envolviam também diplomatas americanos, como Richard Grenell, enviado de Donald Trump para Caracas.

Negociações e a manutenção do chavismo

De acordo com as fontes, empresas venezuelanas atuantes no setor petrolífero, entre elas prestadoras de serviços, passaram a se reunir com representantes americanos em Washington. Luna com o objetivo de estabelecer uma negociação que mantivesse o chavismo no poder. Segundo fontes venezuelanas, já no final do ano passado ficou evidente a todos os empresários envolvidos que a negociação seria com o governo de Maduro, e não com a oposição radical de María Corina Machado, que foi descartada por Trump e pelo setor petroleiro.

Insucesso das conversas por divergência sobre saída do poder

A principal divergência entre as partes foi a questão da saída interna do regime chavista. Maduro, segundo as fontes, aceitava abrir o setor petroleiro, mas requeria um período de dois a três anos para organizar sua saída, condição rejeitada pelos americanos. “Trump não aceitou essa proposta e, por isso, foi desencadeado o ataque”, afirmou uma das fontes. Apesar disso, as negociações sobre petróleo avançaram, explicaram interlocutores.

Captura de Maduro e o golpe

O progresso nas conversas teve sua expressão na madrugada de sábado passado, quando Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana e irmão de Delcy Rodríguez, telefonou para interlocutores nos EUA questionando o motivo do ataque, já que as negociações pareciam estar em andamento. Segundo fontes, Rodrigues foi informado de que Maduro havia sido capturado durante a operação militar. “Maduro caiu porque não aceitou a saída imediata do poder”, comentou outra fonte.

Repercussões internas e continuidade do controle

Com Maduro sob processo judicial nos EUA, os irmãos Rodríguez continuam consolidando o controle político chavista. A relação com o setor privado e diplomatas como Grenell permanece forte. Delcy Rodríguez, atual presidente interina, é vista com bons olhos por empresários e federações como a Fedecámaras, parte do grupo responsável pelo golpe contra Hugo Chávez em 2002.

Estratégia dos EUA e interesses privados

O envolvimento de Grenell nas negociações também reflete uma estratégia americana de manter influência na Venezuela através de ações secretas. Entre os interesses destacados, estão o controle do petróleo, a renegociação de dívidas e a repressão de imigrantes ilegais venezuelanos. Em 2025, Grenell realizou várias visitas a Caracas, reforçando vínculos com o regime chavista.

Segundo análises, o objetivo do diplomata é promover uma reestruturação econômica favorável ao setor privado, incluindo empresas como a Rothschild & Co., contratada em 2024 para planejar a dívida externa venezuelana, estimada em mais de US$ 160 bilhões. O interesse na Venezuela, avaliam especialistas, envolve também a manutenção de interesses estratégicos na América do Sul, com foco em petróleo, dívidas e influência regional.

Controvérsia e implicações

O ataque militar surpresa e a captura de Maduro marcaram uma tentativa dos EUA de impor um regime favorável, enquanto negociações paralelas buscavam garantir a continuidade do chavismo sob nova estratégia diplomática. O caso evidencia as complexas relações de poder, interesses econômicos e estratégias de influência envolvendo Washington, Caracas e atores internacionais, como Rússia e China.

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Com informações do Jornal Diário do Povo

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