Preservação ambiental não prejudica economia nem desenvolvimento social
Pesquisas recentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), apoiadas pela Faperj, revelam que a preservação ambiental não é antagonista ao desenvolvimento econômico e social. Os efeitos positivos das áreas protegidas variam conforme o contexto, a governança e a participação comunitária, contribuindo de forma equilibrada para a sustentabilidade.
Impactos ambientais e sociais das áreas protegidas
A meta-análise envolvendo mais de 400 estudos internacionais demonstra que os principais benefícios estão na conservação de florestas, rios e oceanos. Além disso, regiões com áreas protegidas apresentam melhorias nos indicadores sociais, como acesso a serviços básicos, maior renda familiar e menor desejo de migração para centros urbanos. Segundo os autores, esses efeitos são potencializados quando há participação ativa das comunidades locais.
Desenvolvimento econômico sustentável
Exemplos globais evidenciam como a proteção ambiental pode impulsionar a economia de forma sustentável. Na reserva marinha de Lyme Bay, no Reino Unido, a designação de Área Marinha Protegida resultou na redução de pesca indiscriminada, aumento de renda e inovação em práticas pesqueiras responsáveis, como o uso de armadilhas fixas.
No Nepal, áreas de proteção contribuíram significativamente para a redução da pobreza por meio do turismo ecológico. As reservas extrativistas na Amazônia brasileiras também demonstram que o uso sustentável dos recursos melhora a qualidade de vida de comunidades rurais, com maior acesso a saúde, educação, saneamento e infraestrutura.
Contribuição para a paz e estabilidade social
Além do aspecto ambiental e econômico, áreas protegidas ajudam na construção de paz e na resolução de conflitos. Na Colômbia, o Parque Alto Fragua Indi Wasi promoveu a valorização de lideranças locais e contribuiu para a pacificação em contextos de conflito. Estudos na África mostram que, mesmo em regiões afetadas por guerras, as áreas protegidas podem atuar como terrenos neutros de diálogo, reforçando a estabilidade social.
Desafios e perspectivas de pesquisa
Apesar das evidências de benefícios integrados, a maior parte da literatura científica ainda foca nos impactos ambientais. Para ampliar o papel social e econômico das áreas protegidas, é fundamental aprofundar estudos que avaliem esses aspectos de maneira conjunta, considerando os contextos locais e o uso de tecnologias emergentes.
Para isso, os autores defendem a criação de uma nova agenda de pesquisa que alinhe as dimensões ambiental, social e econômica, com indicadores específicos e uma participação mais ampla de diversos setores. Essas ações facilitarão a elaboração de políticas públicas mais eficazes, capazes de conciliar conservação e bem-estar humano.
Segundo os pesquisadores, trata-se de uma oportunidade de transformar as áreas protegidas em verdadeiros motores de um desenvolvimento sustentável, atendendo às metas do ODS 16 (paz, justiça e instituições eficazes). Assim, a preservação ambiental deixa de ser um obstáculo e passa a ser uma aliada do progresso social e econômico.
Este estudo foi publicado na revista Frontiers in Ecology and the Environment e contou com o apoio de instituições como a Faperj, CNPq e Capes.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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