Banco Central justifica liquidação do Banco Master por crise de liquidez

O Banco Central (BC) enviou um documento ao Tribunal de Contas da União (TCU) detalhando os motivos que levaram à liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro do ano passado, devido à grave crise de liquidez que comprometeu sua capacidade de cumprir obrigações financeiras, incluindo pagamento a investidores.

Razões da liquidação do Banco Master

Segundo o BC, a instituição liderada pelo banqueiro Daniel Vorcaro enfrentava “crise aguda de liquidez”, o que dificultava a satisfação pontual de compromissos. Apesar de tentativas de solucionar o problema, nenhuma foi eficaz, levando o órgão a decretar a liquidação como medida de proteção ao sistema financeiro e à poupança popular.

Escassez de recursos e atrasos

Na data da liquidação, o banco possuía depósitos compulsórios de apenas R$ 22,9 milhões, muito abaixo dos R$ 2,537 bilhões exigidos pelo BC. Além disso, seus recursos em caixa somavam R$ 4,8 milhões, enquanto o vencimento de CDBs previstos era de R$ 48,6 milhões. O banco tinha menos de 10% do que precisava para atender aos seus investidores.

Operações de crédito e práticas financeiras suspeitas

O BC indica que o Banco Master realizou operações de crédito de até R$ 500 milhões com diversas empresas ao longo de 2023 e 2024, financiando fundos da Reag Investimentos. Essas aplicações estavam vinculadas a títulos com “indícios de sobrevalorização”, cujos valores eram considerados muito superiores ao real pelos órgãos reguladores.

Contexto da intervenção e irregularidades graves

Desde o primeiro semestre de 2024, o BC monitorava o conglomerado, identificando que sua maior parte do funding era em operações de longo prazo, limitando sua capacidade de caixa para obrigações de curto prazo. Ainda assim, a autarquia afirmou que o banco não adotou medidas eficazes para sua recuperação financeira, mesmo após diversas orientações.

Operações controversas e tentativas de retomar recursos

Parte dos ativos do Banco Master estava ligada a títulos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Vorcaro buscou recuperação desses recursos por meio de fundos administrados pela Reag, que investiam em títulos com “indícios de sobrevalorização”. A Polícia Federal investiga possíveis fraudes relacionadas a essas operações, que somaram R$ 12,2 bilhões.

Resposta do Banco Central e críticas ao TCU

O BC afirma que o acompanhamento de suas ações desde o início de 2024 revelou que o conglomerado tinha grande volume de operações suspeitas, além de irregularidades nos fundos e na avaliação de ativos. Na mesma linha, o órgão destaca que o TCU extrapola suas atribuições ao questionar a decisão de liquidação, o que gerou críticas sobre a autonomia do Banco Central.

Perspectivas e consequências

Para assegurar a liquidez do banco, o BC determinou que a instituição adotasse medidas de contensão e apresentasse um plano de emergência. No entanto, as tentativas de captação de recursos no segundo semestre de 2024 foram frustradas, com apenas R$ 2 bilhões captados de um potencial de até R$ 15 bilhões.

Autoridades apontam que a venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB) não foi autorizada, em meio a uma investigação em andamento pela Polícia Federal por suspeitas de fraude. Além disso, o BC limita a uma assistência de R$ 4,2 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), reforçando a gravidade da crise financeira do banco.

Em entrevista recente, o ex-presidente do BC, Arminio Fraga, defendeu a decisão do órgão, ressaltando que ela foi “completamente proporcional” diante do cenário de crise.

(Colaborou Luciana Casemiro)

Com informações do Jornal Diário do Povo

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