Banco Central justifica liquidação do Master em documento ao TCU
O Banco Central enviou um documento ao Tribunal de Contas da União (TCU) explicando as razões que justificaram a liquidação do Banco Master, em ação que vem atraindo atenção e investigações. Na comunicação, o órgão afirma que a instituição enfrentava uma crise aguda de liquidez, incapaz de cumprir compromissos no prazo devido.
Motivos para a liquidação do Master
De acordo com o relatório, o Banco Central identificou diversas irregularidades graves, incluindo indícios de crimes que afetaram o valor dos ativos do conglomerado. Entre as razões apontadas, destaca-se que o banco não conseguiu sanar sua crise de liquidez, mesmo após tentativas de tratativas com o mercado. Além disso, a instituição atrasou o recolhimento de compulsórios e mantinha depósitos muito abaixo do exigido, o que agravou ainda mais sua situação financeira.
Indicadores de insuficiência financeira
Na data da liquidação, o banco possuía depósitos de R$ 22,9 milhões frente a uma exigência de R$ 2,537 bilhões, o que demonstra a insuficiência de fundos para honrar compromissos. O fluxo de vencimentos de títulos de investimento (CDBs) previsto para o mesmo dia era de R$ 48,6 milhões, valor que o banco não tinha capacidade de pagar, evidenciando a crise de liquidez.
Medidas e consequências
Segundo o documento, diante do esgotamento de todas as alternativas de mercado e da verificação de irregularidades, o BC considerou a liquidação uma medida indispensável para proteger o sistema financeiro e os poupadores. O órgão também destacou que houve um acompanhamento contínuo desde o primeiro semestre de 2024, quando o banco apresentava sinais de fragilidade financeira.
O relatório ainda aponta que a crise se agravou em novembro de 2024, depois que o banco não conseguiu mais rolar suas obrigações de títulos captados e registrou recolhimentos insuficientes de depósitos compulsórios, aumentando o risco de insolvência.
Investigações e ações futuras
O documento também revela que influenciadores receberam propostas para divulgar vídeos contrários à liquidação, e que o BC solicitou uma inspeção presencial para verificar a documentação do banco. A autoridade monetária recorreu de uma decisão do TCU de realizar a inspeção, argumentando que a medida deveria ser tomada pelo colegiado do tribunal.
Desde 2024, o BC acompanhou o caso de perto, adotando providências como cessão de carteiras e tentativas de venda de ativos do conglomerado. Em dezembro do mesmo ano, o relator do processo no TCU, ministro Jonathan de Jesus, determinou que o Banco Central esclarecesse sua motivação. Após várias manifestações, o BC reforçou que a situação financeira do Master era grave, com irregularidades que impediam qualquer solução de mercado eficiente.
O órgão também destacou que em 2025 o banco solicitou auxílio financeiro ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), recebendo um total de R$ 4,3 bilhões até outubro, para tentar manter sua liquidez. No entanto, os riscos persistiram, levando à decisão de liquidar a instituição. O governo continua monitorando o caso, que envolve investigações de fraude pela Polícia Federal, relacionadas a operações suspeitas entre Master e o banco estatal de Brasília, BRB.
Saiba mais no documento completo do BC ao TCU.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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