Reforma no IR: como fica a tributação para alta renda e quem ganha até R$ 5 mil
A partir de 1º de janeiro de 2026, o governo federal implementou uma nova sistemática de tributação do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), que inclui uma alíquota mínima para quem ganha a partir de R$ 600 mil por ano e uma ampliação da faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais. A medida busca tornar o sistema mais progressivo e justo, mas traz consequências variadas para diferentes contribuintes.
Como fica a tributação para a alta renda
A alíquota mínima para quem ganha acima de R$ 600 mil por ano começa em 0,833% para rendimentos próximos a esse valor e sobe progressivamente, atingindo 10% para quem recebe acima de R$ 1,2 milhão ao ano. Essa alíquota não é adicional, mas um patamar mínimo a ser pago, dependendo das fontes de renda do contribuinte.
Por exemplo, quem tem rendimentos de até R$ 650 mil pagará uma alíquota de aproximadamente 0,83%. Já quem ganha R$ 950 mil, terá uma taxa de cerca de 5,83%. Para quem recebe mais de R$ 1,2 milhão, a alíquota mínima chega a 10%, conforme tabela divulgada pelo Ministério da Fazenda.
Segundo a ferramenta do jornal O Globo, elaborada sob supervisão do professor de contabilidade do Ibmec-RJ, Paulo Henrique Pêgas, a nova tributação afetará cerca de 141 mil contribuintes, que até 2025 pagavam uma alíquota inferior a 10%.?
Quem não terá aumento de imposto
Importante destacar que a mudança não aumenta as alíquotas de quem já paga valores superiores a esses patamares, especialmente aqueles com rendimentos de carteira assinada ou provenientes de fontes tradicionais de renda, que já estão nos níveis mais elevados de tributação.
Impacto para quem ganha até R$ 5 mil
Outra novidade é a ampliação da faixa de isenção do IRPF, que passa de R$ 3.036 para R$ 5 mil mensais, eliminando a obrigatoriedade de pagar imposto para quem recebe até esse valor. Assim, cerca de 25 milhões de brasileiros deixarão de pagar IR, o que representa uma redução significativa na carga tributária para essa faixa.
Além disso, haverá uma redução parcial no IR para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 mensais, buscando aliviar o impacto do aumento da faixa de isenção.
Quem paga mais com as novas regras
Embora não seja uma regra geral, a maior parte dos contribuintes de maior renda, como profissionais liberais que prestam serviços por empresas enquadradas no Simples Nacional, tendem a pagar mais impostos com a nova sistemática, especialmente aqueles cuja renda venha do lucro empresarial, que atualmente não paga IRPF.
Segundo Pêgas, profissionais liberais com rendimentos de R$ 150 mil a R$ 300 mil, que atuam por meio de empresas no Simples, poderão ser afetados pelo aumento no IR, uma vez que a renda de seus lucros, até então isenta ou com tributação reduzida, passará a ter alíquotas mínimas mais elevadas.
Implicações para o sistema simplificado e desigualdade
Contribuintes que atuam sob o regime do Simples Nacional, como prestadores de serviços e pequenas empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões, terão que pagar mais IR, principalmente aqueles cujo lucro é a principal fonte de renda.
Essa medida busca tornar a tributação mais igualitária entre diferentes categorias, já que, atualmente, executivos de alto padrão com ganhos de R$ 5 milhões anuais pagam uma alíquota efetiva de cerca de 23%, enquanto profissionais liberais e empresários de pequeno porte pagam menos, em média 8% ou 9%, dependendo das despesas dedutíveis.
“Vamos tornar a tributação mais justa e igualitária para todos os contribuintes de acordo com seus rendimentos”, afirmou Paulo Henrique Pêgas.
Para verificar o impacto específico da reforma, a ferramenta do GLOBO permite que cada contribuinte consulte sua situação individual, considerando fontes de renda e valores específicos, acessando a calculadora do IR 2025.
Com todas as mudanças em vigor, espera-se que a receita tributária aumente e que a desigualdade fiscal seja reduzida, promovendo um sistema mais equilibrado para os próximos anos.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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