Depoimentos revelam diferenças nos argumentos do Banco Master e do BRB
Na terça-feira, a Polícia Federal ouviu os principais envolvidos na crise do Banco Master, com depoimentos que evidenciaram divergências sobre a solvência da instituição e as condutas durante o processo de liquidação pelo Banco Central (BC). Daniel Vorcaro, dono do banco, afirmou que a instituição era solvente antes da intervenção e que a venda de ativos com deságio não envolveu fraudes.
Vorcaro nega venda de carteiras falsas e critica o BC
Durante cerca de duas horas e meia de depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF), Vorcaro garantiu que o Banco Master tinha condições financeiras até 17 de novembro, véspera da liquidação, e que tinha uma operação de venda da instituição a um consórcio liderado pelo Grupo Fictor. Ele também afirmou que o banco foi regularmente fiscalizado pelo BC e que, nos últimos meses, fez um aporte pessoal de R$ 6 bilhões. “Se a liquidação fosse desfeita, poderia pagar todos os investidores”, declarou.
Inconsistências nas operações de crédito recorrentes na investigação
Segundo documentos da Polícia Federal, o BC considerou as carteiras de crédito adquiridas pelo Banco de Brasília (BRB) como inconsistentes, apontando suspeitas de operações falsas. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, disse que R$ 2,5 bilhões investidos na compra dessas carteiras ficaram presos após a intervenção, que ocorreu em novembro, interrompendo a tentativa de recuperação do montante. O banco havia comprado R$ 12,7 bilhões em ativos do Master, dos quais trocou R$ 10,2 bilhões, restando um saldo de R$ 2,5 bilhões não recuperados.
Operações suspeitas e versões distintas
De acordo com a PF, documentos indicam que as carteiras de crédito vendidas poderiam ser falsas, o que Vorcaro negou, afirmando que houve substituição por outros ativos com deságio de 30%. Costa confirmou essa versão na acareação. A defesa de Vorcaro declarou que não houve fraude e que a troca de ativos foi uma estratégia para manter a saúde financeira do banco.
Repercussões e próximos passos
O advogado Cleber Lopes, responsável por defender Costa, afirmou que as diferenças nos depoimentos foram apenas percepções distintas e que a atuação de Costa foi pautada por decisões técnicas. O BRB informou que aguarda o andamento das apurações para avaliar possíveis prejuízos e tomar providências. Apesar do impacto na recuperação dos créditos, Costa assegurou que não há risco de prejuízo ao banco, pois há garantias adicionais, incluindo títulos do governo americano.
O depoimento contou com a presença de um juiz auxiliar do gabinete do relator do caso, ministro Dias Toffoli, e do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, embora este não seja investigado. A investigação busca esclarecer se houve fraudes ou má conduta na venda e troca de ativos, além de avaliar a real situação financeira do Banco Master antes da intervenção.
Segundo fontes próximas às investigações, o caso pode gerar desdobramentos que envolvem possíveis ações judiciais contra os responsáveis, além de questionamentos sobre a atuação do BC na liquidação do banco de Vorcaro. A Justiça Federal deve seguir ouvindo os envolvidos nos próximos meses.
Com informações do Jornal Diário do Povo
Share this content:










Publicar comentário