Brasil no centro do debate: impacto do acordo UE-Mercosul no agro brasileiro

O futuro do setor agro brasileiro está em jogo na atual disputa pelo acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, que provoca reações acaloradas na França e em outros países europeus. O impasse reflete disputas comerciais e preocupações com a concorrência desleal, além de tensões político-diplomáticas, sobretudo na França, onde o setor agrícola reage contra a assinatura do tratado.

Contestação francesa e impacto no setor agrícola

Na terça-feira (16), o CEO das Cooperativas U, Dominique Schelcher, anunciou que a rede de supermercados da França irá boicotar produtos sul-americanos caso o acordo seja concretizado. “Não compraremos esses produtos se eles chegarem à França”, afirmou, reforçando o temor de que a entrada de carne, soja, açúcar e outros produtos do Mercosul prejudique os produtores franceses e europeus.

Schelcher comparou o acordo ao gigante do comércio online Shein, criticando a concorrência considerada desleal devido às diferenças nas normas de produção e restrições sanitárias entre os blocos. Para o executivo, é necessário “se proteger” diante do que chamou de competição desigual.

Reações no Parlamento Europeu e na política francesa

O Parlamento Europeu aprovou medidas de salvaguarda reforçadas, buscando limitar o impacto do tratado sobre os agricultores do bloco. O acordo favoreceria a entrada de produtos sul-americanos na UE, enquanto aumenta a exportação de automóveis, vinhos e máquinas europeias. As divergências internas na Europa, por sua vez, dificultam a assinatura definitiva, marcada inicialmente para sábado (20) durante a cúpula no Brasil.

Na França, o Senado aprovou uma resolução incentivando o governo a acionar a Corte de Justiça da União Europeia para impedir o acordo, alegando possíveis violações aos tratados europeus. O governo de Emmanuel Macron, por sua vez, vem adotando uma postura mais moderada, mas enfrenta forte resistência política, incluindo pedidos de adiamento e até de veto definitivo ao pacto.

Brasil rebate críticas e aposta na diplomacia

O governo brasileiro tem defendido o acordo, ressaltando os benefícios comerciais e estratégicos de ampliar o comércio com a Europa. Ainda assim, a disputa político-diplomática na União Europeia influencia diretamente as perspectivas de concretização do tratado.

Segundo fontes diplomáticas europeias, a Itália detém “as chaves” para a assinatura, pois sua posição tem oscilado nos últimos meses. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, planeja visitar o Brasil para tentar avançar nas negociações, com o apoio de Alemanha e outros países.

Perspectivas futuras e desafios para o setor agrícola brasileiro

O impasse evidencia que o setor agrícola brasileiro precisa estar atento às disputas comerciais internacionais que podem afetar suas exportações e competitividade. O acordo, se assinado, poderá abrir novas oportunidades, mas também exibir riscos de competição leal e de preservação do padrão sanitário e social brasileiro.

Especialistas alertam que o resultado do debate na União Europeia será determinante para definir os próximos passos do Brasil, em uma conjuntura que mistura interesses comerciais, políticos e de presidência de uma imagem sustentável de sua agricultura no cenário global.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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