China amplia recesso escolar de outono para estimular consumo
Até este ano, apenas algumas cidades na China permitiam recesso escolar no outono. Agora, pelo menos 27 cidades, incluindo Zhejiang e Sichuan, passaram a oferecer dias de folga, com o objetivo de estimular o consumo e melhorar a economia local.
Recesso de outono como estratégia de estímulo ao consumo na China
Autoridades chinesas estão criando feriados na esperança de que as famílias gastem mais, seja em viagens ou em excursões organizadas pelas escolas. Em Foshan, no sul do país, após a implementação de um recesso de três dias em novembro, empresas de turismo relataram aumento expressivo na demanda, com filas de famílias procurando atividades para preencher o período.
Impacto na indústria do turismo
Segundo dados da Trip.com, as reservas de hotéis por residentes de Foshan cresceram mais de 50% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto reservas de voos aumentaram 22%. Em Sichuan, o crescimento chegou a 92%. Segundo especialistas, essa movimentação mostra uma tentativa de expandir o consumo interno, problema importante em uma economia onde os gastos com serviços representam apenas 21% do PIB, bem abaixo dos mais de 40% dos Estados Unidos.
Medidas para aumentar o consumo de serviços
O governo chinês tem incentivado o aumento de férias escolares de primavera e outono para criar oportunidades de consumo, além de ampliar subsídios a produtos de consumo e facilitar o acesso ao turismo internacional. A meta é impulsionar setores como turismo e entretenimento, que atualmente representam uma parcela relativamente pequena do mercado de consumo doméstico.
Segundo Larry Hu, economista da Macquarie Group, esses estímulos podem gerar quase US$ 50 bilhões adicionais por ano em vendas, o que equivale a cerca de 0,7% do varejo total do país, caso se espalhem nacionalmente.
Desafios e críticas à iniciativa
No entanto, nem todos os pais concordam com a mudança. Muitos têm receios de esgotar suas licenças remuneradas ou simplesmente não têm dias de folga disponíveis, dada a carga tradicional de poucos feriados ao longo do ano. Xavier Lei, professor em Chengdu, destacou que, mesmo sem lições de casa, seus alunos têm poucas opções de lazer, o que reforça as limitações dessa estratégia.
Para quem não pode viajar, as chamadas “study tours” — excursões organizadas por escolas e agências — representam uma alternativa cara, normalmente custando milhares de yuans por viagens de poucos dias.
Resumo e perspectivas futuras
Autoridades locais estão ouvindo críticas e realizando consultas públicas sobre a eficácia das férias de outono e primavera, buscando equilibrar estímulos ao consumo e bem-estar familiar. Ainda que o impacto imediato possa ser moderado, essa experiência sinaliza uma tentativa de inovar na estratégia de incentivo ao consumo na China.
Como apontou Louis Kuijs, economista da S&P Global Ratings, a iniciativa poderá ajudar a reduzir a pressão do setor de educação e promover experiências fora da sala de aula, além de fortalecer o mercado de serviços, que ainda tem muito potencial de crescimento no país.
Se a política se consolidar, ela terá efeitos significativos na economia chinesa, potencialmente elevando o consumo anual em bilhões de dólares e contribuindo para a retomada do crescimento após o impacto da pandemia.
Fonte: O Globo
Tags: China, consumo, recesso escolar, turismo, estímulo econômico
Com informações do Jornal Diário do Povo
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