Fusões e aquisições impulsionam consolidação no setor de shopping centers
O setor de shopping centers brasileiro vem passando por um intenso processo de fusões e aquisições, envolvendo tanto empresas nacionais quanto estrangeiras, além de novos entrantes e fundos de investimento. Essa movimentação tem resultado na forte consolidação do mercado e na entrada de sócios minoritários, transformando a estrutura do segmento nos últimos anos.
Mais estabilidade e confiança impulsionam o setor de shoppings
Segundo Danielle Lopes, sócia e analista da Nord Investimentos, a pandemia acelerou a consolidação, que já vinha se formando com a redução do número de administradoras de mais de 30 para apenas cinco grandes players controlando 26% dos 648 shoppings do país, ou seja, 170 estabelecimentos. A perspectiva de queda de juros favorece o otimismo no segmento.
Principais operações de fusão e aquisição no mercado de shoppings
Entre os destaques, está a união entre Aliansce Sonae e BRMalls, que originou a Allos, com ativos em 16 estados e 62 shoppings. A companhia dobrou sua receita para R$ 2,7 bilhões, reduziu custos operacionais de 19,1% para 17,9% do faturamento e capturou R$ 134 milhões em sinergias no primeiro ano de operação, segundo Danielle Lopes.
Movimentações de fundos e novos entrantes
Outros movimentos importantes envolveram a Multiplan, que adquiriu participação de 12% no ParkShopping, em Brasília, por R$ 225 milhões, além de obter 75,05% do DiamondMall, em Belo Horizonte, por cerca de R$ 460 milhões. A mesma empresa elevou sua participação no RibeirãoShopping, em Ribeirão Preto (SP), para 86,5%, e anunciou a compra de mais 7,5% do BarraShopping, no Rio, por R$ 362,5 milhões. Com o negócio, a participação na propriedade passou de 65,8% para 73,4%, em um ativo avaliado em R$ 4,83 bilhões.
O Grupo Iguatemi também se destacou ao assumir 100% do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, por R$ 667 milhões, além de adquirir participações nos shoppings Pátio Higienópolis e Pátio Paulista, de propriedade da Brookfield. Essas operações reforçam a busca por ativos de alta qualidade e potencial de valorização.
Investimentos e estratégias de crescimento no setor
Investidores de diferentes perfis vêm ampliando sua presença, seja por meio de compras de participações em empreendimentos existentes ou da criação de novas estruturas de captação, como dívidas, parcelamentos e emissões de cotas. Caio Nabuco de Araújo, analista da Empiricus Research, aponta que a recuperação pós-pandemia e a dificuldade financeira na realização de novos projetos, os chamados greenfields, são fatores motivadores desse movimento.
Além disso, novos players como Gafisa, HSI e Partage têm ganhado protagonismo, atraídos por oportunidades de valorização e pela resiliência do varejo físico em regiões bem localizadas. O setor também tem visto crescimento na atuação de fundos imobiliários, como XP Malls e Pátria Malls, que consolidaram sua relevância ao adquirir diversos ativos ao longo dos últimos cinco anos.
Crescimento regional e inovação no segmento
Pela própria dinâmica de mercado, operações têm se diversificado territorialmente, com investimentos em regiões Centro-Oeste e Nordeste por investidores em busca de diversificação. Exemplos recentes incluem a abertura de lojas de marcas de luxo, como Levi’s, no Shopping Jardins, e a implementação de novos empreendimentos, como o Shopping Cerrado, em Goiânia, desenvolvido pelo Grupo Odilom Santos em parceria com a Lumine.
Especialistas destacam que o fortalecimento de modelos de outlets, que oferecem marcas desejadas com preços mais acessíveis, mantém o potencial de expansão no Brasil. Além disso, há uma crescente modalidade de investimento em shopping centers sem a necessidade de ter uma loja física, estratégia adotada por diversos fundos para ampliar seu portfólio.
A expansão e o futuro do mercado de shoppings
De acordo com estudos, operações de compra e venda em regiões médias e menores cidades também vêm aumentando, impulsionadas por investidores regionais e estratégias de modernização de empreendimentos já estabelecidos. O exemplo do Shopping Cerrado, em Goiânia, desenvolvido inicialmente em parceria com a Cyrela e agora administrado pela Lumine, ilustra esse movimento.
Segundo fontes do setor, a combinação de fatores econômicos, estratégicos e regionais promete continuar impulsionando a consolidação e o crescimento do mercado de shopping centers no Brasil nos próximos anos.
Para mais detalhes, acesse o site da Globo Economia.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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