Outlets no Brasil crescem como alternativa acessível para consumidores
Atualmente, o Brasil conta com 18 outlets em funcionamento, distribuídos pelo país, com destaque para o Sudeste, que possui nove unidades. Segundo a Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), o crescimento do modelo reflete sua forte vocação turística e sua capacidade de oferecer opções de compras a preços acessíveis, especialmente em regiões com alta sensibilidade a preço.
O diferencial dos outlets e sua expansão no mercado brasileiro
De acordo com Glauco Humai, presidente da Abrasce, os outlets se destacam por combinar marcas desejadas com preços competitivos, além de terem uma forte vocação turística. “O modelo tem mostrado crescimento no número de empreendimentos, tanto em mercados maduros, como São Paulo, quanto em regiões mais novas, como Pernambuco e Paraná, reforçando seu papel como vetor de dinamismo e diversificação do varejo nacional”, avalia.
Estoque, preços e hábitos de consumo
No Brasil, o estoque dos lojistas é composto principalmente por produtos não vendidos de coleções passadas, com contratos que exigem preços ao menos 30% mais baixos que em lojas de preço cheio. Segundo dados da Abrasce, 66% dos consumidores planejam suas visitas aos outlets, e 55% costumam ir pelo menos uma vez ao ano, permanecendo média de 3 horas e 14 minutos no local, deslocando-se por até 1h e 29 minutos, geralmente em pontos estratégicos de rodovias.
Empresas como a Iguatemi, que possui participação em 15 shoppings no Brasil, investem em outlets em locais de grande fluxo, como o Fashion Outlet Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, ao lado de Porto Alegre, e o Fashion Outlet Santa Catarina, entre Florianópolis e Balneário Camboriú, na BR-101, rodovia com mais de um milhão de veículos mensais.
Novos conceitos e diferenciais do outlet brasileiro
Alguns outlets começaram a adotar conceitos mais amplos nos últimos anos, incluindo opções de lazer e gastronomia, funcionando como centros de convivência. Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da Gouvêa Malls, destaca que muitos deles atuam como verdadeiros shoppings regionais, criando experiências completas para os visitantes. O Catarina Fashion Outlet, na Zona Leste de São Paulo, por exemplo, é considerado o maior outlet da América Latina, com 52 mil m² e várias expansões desde sua inauguração em 2014.
Segundo Robert Harley, CEO da JHSF Malls, o diferencial do Catarina está no espírito do projeto: uma arquitetura elegante, ambientes confortáveis e uma configuração que transmite uma sensação de bem-estar, atraindo marcas de luxo como Gucci e Burberry, que o veem como um destino de compra.
Desafios e limites do crescimento
Apesar do bom desempenho, o crescimento de outlets no Brasil é limitado pela dependência do encalhe de produtos de coleções anteriores, diferentemente do mercado americano, onde 80% dos produtos vendidos em outlets são feitos especificamente para esse formato. Além disso, a distribuição geográfica deve ser planejada com cautela para evitar a canibalização de outros centros comerciais.
Segundo estudo da Simon, maior rede de outlets dos Estados Unidos, o mercado brasileiro comportaria até 30 outlets, considerando o tamanho limitado do setor. Marinho explica que atualmente há mais de 600 shoppings centers no país, indicando que o crescimento mais forte pode vir da transformação de shopping centers tradicionais em híbridos, com lojas outlets integradas.
Perspectivas e inovação no segmento de outlets
O setor de outlets no Brasil mantém seu potencial de crescimento, especialmente ao investir em conceito mais premium, com lojas exclusivas, arquitetura moderna e ambientes sofisticados. O interesse de marcas internacionais em entrar nesses empreendimentos reforça o movimento de consolidação e inovação no segmento de comércio de rua.
Para o futuro, especialistas apontam que a combinação entre lojas de marcas desejadas e o varejo tradicional, aliado à experiência de compra, continuará sendo uma estratégia vencedora, ampliando o alcance do modelo e sua relevância no cenário econômico brasileiro.
Fonte: O Globo Economia
Com informações do Jornal Diário do Povo
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