Caso do Banco Master na CVM completa seis meses sem decisão definitiva
Um processo envolvendo o Banco Master, iniciado há mais de quatro anos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ainda não tem uma decisão final. A demora se deve aos pedidos de vista de dois diretores, incluindo o atual presidente interino da CVM, Otto Lobo, que completam seis meses nesta semana.
Operações potencialmente fraudulentas e tentativa de acordo
O caso trata de operações suspeitas de fraude, relacionadas à negociação de cotas do fundo imobiliário Brazil Realty, citadas na decisão da Justiça que prendeu Vorcaro, proprietário do banco. Os fatos ocorreram em 2018, mas o processo só foi levado à CVM três anos depois, em 2021, quando Vorcaro e o Banco Master propuseram um termo de compromisso para encerrar as investigações. A proposta inicial envolvia o pagamento de R$ 750 mil, valor rejeitado pelo Comitê de Termo de Compromisso (CTC) em 2022.
Na tentativa seguinte, em 2023, a quantia foi aumentada para R$ 1,5 milhão, mas também não foi aceita. A área técnica da CVM estimou prejuízos ao mercado superiores a R$ 94 milhões, valor considerado mais próximo do justo pelo colegiado na ocasião. A discussão avançou até 2024, quando o colegiado entendeu que os cálculos da área técnica estavam equivocados, recomendando uma nova proposta de R$ 12,4 milhões, considerada razoável pelo CTC.
Empecilho na análise e pedidos de vista
Desde então, o processo está travado. Em dezembro de 2024, o relator Otto Lobo pediu vista do caso, e a proposta voltou a ser discutida apenas em maio deste ano. Surpreendentemente, Lobo decidiu não apresentar seu voto, enquanto o diretor João Accioly também pediu vista, mantendo o impasse até hoje, com quase seis meses de atraso na análise.
Nos bastidores, especula-se que Lobo estaria tentando consolidar sua indicação como presidente da CVM, já que seu mandato termina no fim de dezembro, e ele corre risco de deixar o cargo sem votar o caso. Além disso, há indícios de pressões externas e movimentos políticos envolvendo o nome de possíveis candidatos ao cargo de presidente do órgão regulador.
Contexto envolvendo o Banco Master e a CVM
O processo também ficou marcado por mudanças de posições de Otto Lobo em outras situações. Em uma decisão polêmica, ele declarou votar como diretor e como presidente em um caso envolvendo a aquisição da Ambipar, deixando de seguir decisão anterior de seu antecessor, João Pedro Nascimento. Essa mudança ajudou a barrar uma oferta pública de aquisição (OPA) que poderia ter valor de bilhões de reais.
A investigação apura a suspeita de que operações realizadas pelo Banco Master e fundos ligados a ele foram usadas para inflar artificialmente o patrimônio da Companhia e favorecer a emissão de CDBs, além de manipular preços para beneficiar o banco e seus acionistas. Esses fatos contribuíram para a prisão de Vorcaro e alimentam o clima de desconfiança no mercado.
Perspectivas futuras e incertezas
Com o mandato de Otto Lobo se encerrando em dezembro, há grande expectativa de que o processo possa permanecer sem resolução definitiva, caso ele deixe o cargo sem votar. Ainda há rumores de que Lobo vem fazendo campanha para se tornar efetivo na presidência da CVM, e que outros nomes de mercado, como um diretor da Fictor Alimentos, podem ser considerados para preencher as cadeiras vagantes no colegiado.
Até o momento, o futuro do processo e a continuidade do colegiado permanecem incertos, enquanto a questão do Banco Master e Vorcaro segue como uma das pendências mais emblemáticas da CVM nos últimos anos.
Para mais detalhes, veja a matéria completa no Fonte.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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