Riscos da exploração de petróleo na Amazônia podem estar subestimados
Uma pesquisa da Zero Carbon Analytics (ZAC) aponta que a exploração de petróleo na América do Sul, especialmente na região da Amazônia, enfrenta uma crise de transparência e insuficiência de informações, potencializando os riscos ambientais. Apesar de metade dos países do continente explorarem petróleo, apenas três — Brasil, Canadá e Estados Unidos — possuem bancos de dados abertas e atualizados sobre acidentes na indústria petrolífera.
Falta de dados e riscos ocultos na exploração petrolífera
A ausência de registros detalhados impede a avaliação do impacto real da atividade petrolífera na Amazônia. Segundo Renata Ribeiro, pesquisadora sênior da ZAC, essa falta de transparência oculta a gravidade dos danos ao meio ambiente e às comunidades locais. “Sem dados completos, fica impossível identificar os riscos, planejar estratégias de proteção ou tomar decisões acertadas na transição energética”, afirma ela.
O cenário se torna ainda mais preocupante diante do avanço das operações de exploração na Amazônia, cuja biodiversidade e complexidade territorial são particularmente sensíveis. Sem informações precisas, os governos correm o risco de subestimar os impactos, atrasando ações necessárias para evitar danos irreversíveis na região.
Incidentes documentados na região amazônica
Ao longo dos anos, organizações independentes têm registrado diversos acidentes ambientais na Amazônia. No Peru, foram contabilizados 474 derramamentos de óleo entre 2000 e 2019, relacionados principalmente a falhas operacionais e corrosão de equipamentos (fonte). No Equador, há registros de 65 incidentes no sistema SOTE até 2019, resultando em 730 mil barris derramados, incluindo um grave deslizamento em 2022 que afetou rios e comunidades indígenas.
Em 2023, a situação se agravou com a identificação de cerca de oito mil sítios potencialmente contaminados em países como Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Segundo a coordenadora de Projetos do Climainfo, Carolina Marçal, esses dados confirmam as críticas às licenças concedidas pelo Ibama à Petrobras para perfurações na região, sem o devido respaldo de informações transparentes.
Desafios na regulação e defesa da Amazônia
Jurema Werneck, professora e ativista, destaca a subnotificação e a ausência de uma visão sistêmica sobre os impactos ambientais decorrentes da exploração petrolífera na Amazônia. “A região deveria ser uma zona de exclusão da exploração de petróleo e gás, e o Brasil deveria seguir o exemplo da Colômbia, que declarou sua Amazonia um território livre dessa atividade”, ressalta.
O estudo da ZAC reforça a necessidade urgente de os países avançarem no mapeamento dos riscos, fortalecendo a transparência e a fiscalização. Somente assim será possível proteger essa biodiversidade única e evitar danos irreversíveis ao meio ambiente e às comunidades que dependem da região.
Impactos e próximos passos na transição energética
De acordo com especialistas, a falta de registros detalhados impede uma avaliação correta do impacto sistêmico da exploração de petróleo na Amazônia. Para Carolina Marçal, fortalecer a coleta de dados é fundamental para que a transição energética seja efetiva e compatível com a preservação ambiental.
Enquanto a COP30 em Belém discute o fim dos combustíveis fósseis, o levantamento da ZAC reforça que a implementação de políticas transparentes e o fortalecimento da fiscalização são essenciais para evitar que a exploração de petróleo perpetue os danos ambientais na região mais biodiversa do planeta.
Para saber mais, acesse o estudo completo da ZAC.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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