Mudanças no BRB após escândalo envolvendo Banco Master

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), nomeou Nelson de Souza para a presidência do Banco de Brasília (BRB). A escolha ocorre menos de 24 horas após o afastamento do ex-presidente Paulo Henrique Costa, envolvido em investigações relacionadas ao caso do Banco Master, que resultou na prisão do dono da instituição, Daniel Vorcaro.

Indicação técnica e processo de aprovação

Segundo nota do governo do DF, a indicação de Nelson Souza foi baseada em seu perfil técnico, com mais de 45 anos de experiência no setor financeiro. O próximo passo é que o ex-presidente encaminhe os documentos ao Banco Central, que avalia e aprova a nomeação, além da Câmara Legislativa do DF.

Contexto das operações questionadas no BRB

As investigações revelaram que o BRB, que tinha planos de adquirir até 58% do Banco Master por cerca de R$ 2 bilhões, realizou operações com indícios de irregularidades. A Polícia Federal apurou que o banco público comprou carteiras de crédito falsas, principalmente consignado, com prejuízo estimado em R$ 12,2 bilhões. Além disso, há indícios de que o banco vendeu carteiras de crédito sem respaldo documental, uma prática que compromete a governança.

A relação com o Banco Master

Desde março, o BRB manifestou interesse na compra do banco privado, porém a operação foi vetada pelo Banco Central devido às irregularidades e às operações fraudulentas, que teriam sido realizadas por meio de uma empresa de um ex-funcionário do banco doador. A suspeita de fraude levou à prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na terça-feira, em Guarulhos, na Grande São Paulo, após sua detenção na área interna do aeroporto.

Impactos e ações do BRB

Diante dos sinais de irregularidades, o BRB decidiu contratar uma auditoria externa para apurar as operações relacionadas ao Banco Master. O conselho de administração do banco afirmou, em nota, que a auditoria verificará a compra das carteiras de crédito, os procedimentos internos adotados, além de possíveis falhas de governança.

Fiscalização e riscos

Documentos internos do Banco Central indicam que o elevado apetite por aquisições responsáveis pelo BRB gerou impactos operacionais e que, em janeiro e fevereiro de 2025, os índices de capital próprio da instituição ficaram próximos ao limite mínimo e, posteriormente, ficaram negativos.

Repercussões e desdobramentos futuros

Além das questões financeiras, o caso provocou uma ação sancionadora da CVM, que tornou o governo do DF réu em processo que envolve acusações ao conselho fiscal do BRB, do qual Juliana Monici, chefe de gabinete do governador, participa. A ação questiona conflitos de interesses e a capacidade de fiscalização da alta gestão do banco.

O governador Ibaneis Rocha afirmou que continuará buscando a transparência e a regulação das operações do banco, enquanto o Estado trabalha para manter a estabilidade do BRB diante do escândalo. Ainda, as investigações apontam que o volume transferido ao Banco Master entre julho de 2024 e outubro de 2025 totalizou R$ 16,7 bilhões, reforçando a gravidade dos indícios.

Com a sequência de escândalos, o Banco Central reforçou que o Banco de Brasília não apresenta risco sistêmico, apesar dos prejuízos e das irregularidades apuradas. A operação de liquidação do Banco Master segue em andamento, sob supervisão do Banco Central, que confirmou a intenção de fortalecer os controles internos no setor financeiro.

Para acompanhar as próximas atualizações e as medidas em andamento, o mercado aguarda o resultado do processo de auditoria e as ações judiciais relacionadas ao caso. Pode-se esperar que novas mudanças na gestão do BRB sejam anunciadas, visando restaurar a credibilidade da instituição pública.

Fonte original

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário