Uruguai lidera adoção de veículos elétricos na América do Sul

O Uruguai tornou-se um polo importante do boom de veículos elétricos na América do Sul. Incentivos fiscais e a gasolina cara têm impulsionado consumidores a preferirem marcas chinesas, especialmente a BYD, em uma região tradicionalmente dominada por veículos de marcas americanas, europeias e japonesas.

O crescimento dos veículos elétricos no Uruguai

Até outubro deste ano, veículos elétricos representaram cerca de 25% das vendas de carros e SUVs novos no país, mais que o dobro da participação em 2024, segundo a Acau, associação do setor automotivo uruguaio. Este número supera amplamente as taxas de adoção de outros mercados sul-americanos como Colômbia e Chile, onde a participação ainda é de dígitos únicos.

Incentivos fiscais e fatores econômicos

O Uruguai isenta veículos elétricos de uma taxa de importação de 23% e de um imposto seletivo de dois dígitos. Além disso, o preço da gasolina, que atinge cerca de US$ 7,40 por galão (R$ 39), e a expansão da rede de estações de recarga contribuem para essa rápida adoção.

“Os incentivos fiscais e o preço da gasolina fazem do Uruguai uma região favorável para a transição para veículos elétricos”, afirmou Rafael Rabioglio, chefe de pesquisa para a América Latina da Bloomberg NEF.

Mercado em expansão e presença chinesa

Marcas chinesas, como BYD, JAC e Omoda, representam cerca de 90% das vendas de aproximadamente 11 mil veículos elétricos no país neste ano. O modelo Seagull da BYD, com preço abaixo de US$ 20 mil (R$ 106,5 mil), virou sucesso entre consumidores sensíveis a preço, similar a hatchbacks tradicionais a gasolina.

A circulação dessas marcas na capital Montevidéu e em destinos turísticos de Punta del Este evidencia a transformação do mercado.local com veículos acessíveis e eficientes

Impacto na paisagem urbana e no setor

Historicamente dominado por veículos de marcas dos EUA, Europa e Japão, o mercado uruguaio começa a mudar devido à competitividade crescente das elétricas chinesas. Proprietários como Martín Canabal, que trouxe seu Tesla de São Francisco, participam de um novo cenário de proprietários de veículos elétricos, onde a troca de experiências e a infraestrutura têm crescido.

“Hoje, tenho um Tesla e acho que o uso de carros elétricos vai se consolidar aqui. O desempenho e as atualizações de software continuam surpreendendo”, afirmou Canabal, que percorreu uma rota do Alasca até a Argentina com seu modelo.

Perspectivas futuras na América do Sul

A previsão da Bloomberg NEF é de que, até 2030, mais de 8% das vendas de veículos novos na América Latina sejam de elétricos ou híbridos plug-in. O especialista Rafael Rabioglio destacou que o sistema de incentivos do Uruguai pode servir de modelo para outros países pequenos, que não buscam criar uma indústria doméstica de veículos elétricos, mas desejam estimular a adoção.

“O crescimento acelerado do mercado uruguaio demonstra o potencial de expansão na região, especialmente com a entrada de modelos chineses acessíveis”, acrescentou.

Implicações na economia e no setor

Com uma política favorável e preços competitivos, o mercado de carros elétricos uruguaio movimenta uma estimativa de R$ 200 bilhões anuais até 2030, podendo atrair mais investimentos e ampliar a concorrência com marcas tradicionais.

Enquanto marcas americanas, europeias e japonesas ocupam ainda grande parte do mercado, a presença cada vez maior das chinesas sinaliza uma mudança de perfil de consumo na região, impulsionada por fatores econômicos e tecnológicos.

Para mais informações sobre o crescimento dos veículos elétricos na América do Sul, acesse o artigo completo no Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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