Banco Central liquida o Banco Master após prisão de Vorcaro
O Banco Central (BC) decretou ontem a liquidação do Banco Master, após a prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, no Aeroporto de Guarulhos. A medida encerra a trajetória da instituição financeira, que enfrentava graves dificuldades financeiras e suspeitas de fraudes elevadas.
Prisão de Vorcaro e anúncio da liquidação
Vorcaro foi detido pouco antes de embarcar em um jato particular, numa ação coordenada pela Polícia Federal (PF). Segundo informações da investigação, ele teria se preparado para fugir do país após anunciar a venda do banco para o Grupo Fictor, operação que foi suspensa após a prisão. Veja como foi a prisão de Vorcaro em Guarulhos.
A decisão do BC também veio acompanhada da suspensão do negócio de venda, que ocorreu na tarde de segunda-feira, poucas horas antes da prisão. A operação ocorreu em um contexto suspeito de tentativa de encobrir atividades ilícitas e manipulação de ativos.
Fraudes e crise de liquidez
Autoridades apontam que houve uma fraude de R$ 12,2 bilhões envolvendo transações entre o banco de Vorcaro e o banco estatal Brasília (BRB). Segundo a PF, a operação foi marcada por manipulação de ativos, fraudes no mercado de capitais, gestão fraudulenta e temerária. Operação entre BRB e Master foi por pura camaradagem, aponta PF.
O BC justificou a liquidação com base na “grave crise de liquidez” do banco, que tinha aproximadamente R$ 12 bilhões de ativos descobertos e de baixa liquidez. A autoridade destacou que houve “comprometimento significativo da situação econômico-financeira” do grupo, considerado de “pequeno porte”, mas sem riscos ao sistema financeiro maior.
Próximos passos na liquidação
A liquidação envolve etapas de bloqueio de contas, ressarcimento pelos mecanismos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), avaliação de bens, venda de ativos e pagamento de credores. O Banco Master Múltiplo foi colocado em Administração Especial Temporária (Raet), na qual o BC assume a gestão temporariamente, até a conclusão do processo.
Beneficiários de CDBs emitidos pelo banco têm garantia de até R$ 250 mil pelo FGC. A expectativa é que os credores possam buscar ressarcimento de até R$ 48 bilhões, em uma das maiores operações de liquidação do sistema financeiro brasileiro, superando a quebra do Bamerindus, em 1997.
Fuga suspeita e operações reveladas
De acordo com investigações, Vorcaro planejava viajar a Dubai para se reunir com investidores árabes. No entanto, sua tentativa de fuga foi frustrada na noite de segunda-feira, quando foi preso no aeroporto, pouco antes de embarcar para Malta. A Polícia Federal aponta que a venda do banco ao Grupo Fictor foi anunciada às 17h24, logo após a prisão e a decretação da liquidação.
A nota oficial do Fictor afirmou que tomou conhecimento dos fatos pela imprensa e que a operação de compra está suspensa, colocando-se à disposição das autoridades. Mais detalhes sobre os próximos passos na liquidação.
Implicações e cenário futuro
A operação revela uma crise de confiança no setor financeiro de pequeno porte e reforça a necessidade de robustez na fiscalização bancária. O BC destacou que, apesar da intervenção, riscos sistêmicos ao mercado brasileiro foram evitados. A investigação continua, buscando esclarecer as fraudes e possíveis responsabilidades de demais envolvidos.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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