Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é preso com frota de jatos executivos

Nesta terça-feira (18), a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, 42 anos, controlador do Banco Master, em São Paulo, durante a tentativa de fuga do país. Vorcaro chamava atenção por possuir uma frota de jatos executivos, incluindo um Gulfstream GV de longo alcance, que estaria sendo utilizado para uma viagem ao exterior no momento da prisão.

Frota de jatos e suposto plano de fuga

O Gulfstream GV, um modelo de luxo com autonomia para voos transatlânticos sem escalas, como de Los Angeles a Londres, está em nome da Viking Participações Ltda, uma holding com Vorcaro como sócio-administrador. Além do GV, ele possui outros dois jatos, um Falcon 5X e um Falcon 7X.

Segundo apuração da TV Globo, o empresário planejava viajar por meio desse jato do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, com destino à Malta, na Europa. A defesa de Vorcaro afirmou que o trajeto final seria Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde ele pretendia se reunir com compradores do Banco Master.

Quem é Daniel Vorcaro

Nascido em Belo Horizonte, em 6 de outubro de 1983, Vorcaro possui formação em Economia e MBA em Business/Managerial Economics pelo Ibmec. Sua atuação inclui setores financeiros, tecnológicos e empresariais, destacando-se pelas operações do Banco Master, controlado por ele.

Ele ganhou destaque após negócios significativos com o governo do Distrito Federal através do Banco de Brasília (BRB), que adquiriu títulos emitidos pelo Banco Master, atualmente investigados pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Vorcaro também é acionista da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético-MG, com 20,2% de participação, cujo origem de recursos é questionada por possíveis conexões com o crime organizado.

Investigações e operação da PF

A ação policial mira a emissão de títulos de crédito falsificados pelo Banco Master, que prometia rentabilidade de até 40% acima da taxa básica do mercado, sem lastro ou respaldo financeiro legítimo. A operação, deflagrada nesta terça, cumpriu sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em diversos estados.

Conforme a Polícia Federal, havia uma estrutura organizacional dentro do banco para sustentar as fraudes, envolvendo dirigentes e colaboradores. As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, por suspeitas de fabricação de carteiras de créditos fictícios vendidas a outros bancos, com posterior substituição por ativos sem avaliação técnica adequada.

Decisão de liquidação e compra do banco

Horas após a prisão de Vorcaro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e bloqueou os bens dos controladores. O grupo de investimento Fictor Holding anunciou a compra da instituição por R$ 3 bilhões, com participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos, condição que dependia da aprovação do BC e do Cade.

Fundado em 1996 em Belo Horizonte, o Banco Master passou por reestruturações em 2018, sob comando de Vorcaro, que focou em operações de emissão de títulos de crédito, como debêntures e notas promissórias, além de manter a corretora de câmbio Master S.A.

Implicações e próximos passos

A prisão de Vorcaro evidencia os riscos de operações financeiras fraudulentas e a presença de bens de luxo ligados a suspeitas de conexão com organizações criminosas. As investigações continuam para apurar possíveis ligações com o crime organizado e conexões ilícitas envolvendo recursos do banco e do esporte.

A polícia e o Banco Central buscam esclarecer se os ativos de Vorcaro e seus jatos estão ligados a atividades ilícitas e quais os impactos para o sistema financeiro nacional. A operação também reforça o combate à emissão de papéis de crédito falsificados no setor financeiro brasileiro.

Mais detalhes sobre a operação podem ser acompanhados na reportagem da TV Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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