Investigações apontam operação suspeita entre Banco Master e BRB

A Polícia Federal realizou operação contra o Banco Master nesta quinta-feira (18), apreendendo carros de luxo, obras de arte, relógios e R$ 1,6 milhão em dinheiro em espécie, visando desmantelar suspeitas de irregularidades financeiras que envolvem bilhões de reais. O banco, procurado, não se manifestou oficialmente, mas o Banco de Brasília (BRB) afirmou que atua em conformidade com as normas de compliance e que fornece informações regularmente aos órgãos de fiscalização.

Suspeitas de fraudes e operações bilionárias

Conforme o Ministério Público Federal (MPF), o Master teria adquirido carteiras de crédito de uma empresa ligada a um ex-funcionário, sem realizar pagamentos, e logo após revendeu esses ativos ao BRB, recebendo pagamento imediato. Essas operações movimentaram R$ 12,2 bilhões entre janeiro e maio de 2025, totalizando R$ 16,7 bilhões até outubro do mesmo ano, mesmo diante de alertas do Banco Central (BC).

Operações questionadas pelo Banco Central

O Banco Central identificou inconsistências nas operações, especialmente na origem das carteiras de crédito. Em 25 de março, o Master informou que as carteiras tinham origem em associações de servidores estaduais da Bahia, criadas por um diretor do banco. Entretanto, auditorias mostraram que as transações envolveram CPFs de diversas regiões do Brasil, incompatíveis com as declarações iniciais.

Após a suspeita, o BC fez uma análise em uma amostra de 30 contratos de crédito relacionados às operações do Master com o BRB, e constatou indícios de insubsistência, sugerindo possível engenharia financeira para captar recursos. Uma nova análise de 100 contratos reforçou esses indícios, indicando manipulação contábil.

Alterações societárias e possíveis crimes

Para justificar as operações ao BC, o Master atribuiu a origem do crédito à empresa Tirreno, criada no final de 2024 por um indivíduo responsável por outras firmas similares. Essa empresa passou por alterações de contrato social e ampliou seu capital para R$ 30 milhões, com um ex-funcionário do Master como diretor, após o início das operações suspeitas.

Investigadores destacam que o contrato inicial de parceria entre o Master e a Tirreno, bem como alguns instrumentos de cessão de crédito, sequer estão autenticados em cartório, o que aumenta as suspeitas de irregularidades. Além disso, documentos só foram formalizados meses após as transações, o que é considerado atípico.

Reação das instituições e próximos passos

O MPF afirma que a operação, embora suspeita, ocorreu de forma quase que “pura camaradagem” e como tentativa de abafar a fiscalização do BC. Por sua vez, o BRB reafirmou seu compromisso com ética, responsabilidade e transparência na condução de suas atividades.

Investigações continuam, e os órgãos de fiscalização buscam esclarecer a extensão das fraudes e possíveis crimes financeiros envolvendo um montante que pode ultrapassar R$ 16 bilhões.

Para mais detalhes, confira a reportagem completa.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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