Fazenda de soja certificada por desmatamento zero no Matopiba

No município de Loreto, no Maranhão, uma fazenda que produz soja e milho mantém 35% de reserva ambiental, atendendo ao limite legal e sem desmatamentos desde 2012. Essa iniciativa demonstra que é possível conciliar o cultivo agrícola com conservação ambiental e desmatamento zero.

Prática de preservação no cerrado do Matopiba

O Matopiba, região formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, concentra o maior desmatamento no cerrado, bioma considerado crucial para o clima e recursos hídricos do Brasil, segundo o Inpe. No entanto, o município de Loreto exemplifica uma produção agrícola sustentável, com monitoramento constante da mata nativa de quase 3.000 hectares.

Monitoramento e certificação internacional

Sabrina Campos, engenheira florestal responsável pelo meio ambiente da fazenda, explica que o monitoramento das áreas preservadas é essencial para evitar e controlar incêndios criminosos. Essa atenção contínua permitiu à propriedade obter a certificação internacional RTRS (Round Table on Responsible Soy), concedida a fazendas que adotam práticas de desmatamento zero desde 2016.

De acordo com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte (Fapcen), 50% da soja produzida no Maranhão possui o selo RTRS, que avalia mais de 150 critérios, incluindo a observância de leis ambientais e boas práticas de manejo.

Benefícios econômicos e incentivos à sustentabilidade

Proprietários certificados têm acesso a linhas de crédito com taxas reduzidas, além de financiamento de máquinas agrícolas com condições diferenciadas. O selo também garante vantagens no mercado, como o valor adicional de US$ 1 a US$ 3 por tonelada de soja ou milho certificada.

Segundo André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), há milhões de hectares legalmente aptos à atividade de desmatamento, mas há uma demanda crescente da sociedade por práticas sustentáveis. Ele reforça a necessidade de incentivos financeiros para que os produtores optem por preservar.

Desafios legais e regulamentação

Embora o pagamento por serviços ambientais tenha sido instituído por lei em 2021, sua implementação prática ainda não aconteceu devido à ausência de regulamentação adequada. João Paulo Copobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, destaca a necessidade de um decreto regulamentador para estabelecer as condições de execução do programa.

De modo geral, a experiência na região do Matopiba mostra que o modelo de produção sustentável, aliado ao monitoramento e certificação, pode ser uma alternativa viável para reduzir o desmatamento ilegal e contribuir para o combate às mudanças climáticas no Brasil.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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