Guerra em Gaza destrói ecossistema de tecnologia e provoca retrocesso econômico
O ecossistema de tecnologia na Palestina, que vinha em expansão e gerava empregos, foi severamente afetado pelo conflito iniciado em outubro de 2023 em Gaza. Antes da guerra, a região abrigava mais de 700 empresas do setor, apoiadas por incubadoras e programas de formação, além de contribuir com cerca de 3,2% do PIB palestino, segundo o Banco Mundial.
Impactos na economia digital palestina
Dados do Gaza Sky Geeks (GSG) mostram que, até o início do conflito, mais de 60 mil profissionais haviam sido treinados em economia digital e startups, com destaque para programas como a Code Academy e o Startup Program. A maioria dessas iniciativas foi interrompida ou suspensa desde o começo da guerra, revertendo anos de investimentos e progresso.
Consequências da guerra no setor de tecnologia
Rakeb Rabi, CEO do Intersect Innovation Hub, explica que a guerra provocou demissões em massa e um retrocesso econômico de 15 anos, com o Produto Interno Bruto (PIB) de Gaza encolhendo 83% em 2024 e a participação na economia palestina caindo de 17% para menos de 3%. Além do colapso das atividades, o desemprego saltou de 22% para 69%, afetando especialmente o setor de tecnologia.
Esforços de proteção e apoio emergencial
Apesar das dificuldades, hubs de inovação como o Intersect criaram mecanismos de apoio imediato. O programa Safe Palestine destinou aproximadamente US$ 3 milhões (R$ 17 milhões) a 28 startups, garantindo continuidade às operações, enquanto o Rise Palestine ofereceu subsídios para perdas de renda. Além disso, uma iniciativa conectou profissionais demitidos ao mercado global, incluindo oportunidades em Dubai, Emirados Árabes Unidos e outros países.
Resistência e desafios na contratação de talentos palestinos
Rabi destaca que, mesmo com o esforço de manter a economia digital viva, o preconceito na contratação de profissionais palestinos é um entrave: “Quando uma empresa procura talentos online, não olha para nacionalidade ou religião, mas isso ainda acontece com frequência aqui.” Ele reforça o compromisso do setor com suas raízes, mesmo enquanto busca expansão internacional.
Retorno ao passado e perspectivas futuras
Segundo o Banco Mundial, a economia palestina voltou aos níveis de 2009, anulando uma década e meia de avanços. Em Gaza, o PIB encolheu 83% em 2024, com a participação na economia total caindo para menos de 3%. Mesmo na Cisjordânia, que também sofreu impactos severos, a atividade econômica permanece 17% abaixo do patamar pré-guerra em 2025.
Apesar do cenário de crise, o setor de tecnologia palestino busca inovação. Empresas focadas em desenvolvimento de software, aprendizado de máquina e motion graphics continuam a se estabelecer, enquanto a participação em eventos internacionais, como o Expand North Star em Dubai, demonstra a busca por investimentos e mercados estrangeiros, como a Coretava, que utiliza inteligência artificial para análise de dados de consumo.
O fundador de uma startup que opera em vários países, inclusive na Palestina, afirma que a infraestrutura mais favorável nos Emirados EAE e outros mercados externos impulsiona a expansão, embora a região conserve sua importância e continue a receber esforços de reerguimento. O compromisso com a economia local permanece forte, mesmo diante do conflito e das dificuldades atuais.
Fonte: O Globo
Com informações do Jornal Diário do Povo
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