Alta de serviços altera projeções do PIB no terceiro trimestre
O desempenho mais forte do setor de serviços em setembro, com alta de 0,6% frente às estimativas de 0,4%, pode levar a revisões nas projeções do PIB do terceiro trimestre, indicam economistas ouvidos pelo Jornal Diário do Povo. A expectativa atual é de avanço de 0,2%, mas há possibilidade de aumento para 0,3%, dependendo dos próximos dados.
Impacto na política monetária e cenário econômico
De acordo com Luís Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, o resultado do setor de serviços “desfaz um pouco o otimismo gerado pelo IPCA de ontem em relação à queda dos juros no início de 2026”. Ele ressalta, porém, que esses dados não devem comprometer o ciclo de cortes de juros previsto para o próximo ano, pois a influência da atividade econômica na política monetária ocorre na medida em que impacta a inflação. Saiba mais sobre a relação entre atividade econômica e inflação.
Fatores temporários e tendência de moderamento
Leal explica que a alta na PMS, divulgada pelo IBGE, reflete, em parte, o efeito da Semana do Consumidor, que impulsionou segmentos como transporte e serviços às famílias. A tendência, segundo ele, é de moderação em outubro, embora promoções continuem influenciando o setor.
Sinalização de desaceleração na economia
Outros economistas também observam sinais de desaceleração, especialmente em atividades voltadas às famílias. Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, destaca que o impacto da política monetária começa a ser percebido com atraso na ponta, especialmente nos serviços mais sensíveis ao crédito.
Ela reforça que a desaceleração gradual nos serviços reforça a expectativa de início do ciclo de flexibilização monetária, possivelmente a partir de março de 2026, com cortes de 50 pontos-base na taxa Selic, que pode chegar a 12,5% até o fim do próximo ano.
Câmbio e inflação ajudam a explicar o cenário
Segundo Renato Veloni, professor do Ibmec, a valorização do real frente ao dólar contribui para a combinação de crescimento de determinados setores de serviços e desaceleração da inflação. Veloni ressalta que a inflação, controlada pelo câmbio e juros elevados, influencia diretamente as decisões de política monetária.
Perspectivas futuras para a economia brasileira
Com o desempenho recente dos serviços demonstrando sinais de desaceleração, especialmente nas atividades mais sensíveis ao crédito, o cenário aponta para uma desaceleração gradual da economia. Analistas afirmam que, se a trajetória de baixa da inflação continuar, o Banco Central poderá iniciar cortes graduais na Selic, promovendo maior estímulo ao crescimento.
Para saber mais sobre as projeções econômicas do Brasil, acesse a matéria completa no O Globo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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