Falência da Oi deixa mais de 13 mil trabalhadores em dúvida sobre pagamentos e empregos
A Justiça decretou a falência da operadora de telecomunicações Oi nesta semana, deixando cerca de 13 mil trabalhadores em incerteza quanto ao pagamento de indenizações e ao futuro de seus empregos. A decisão ocorre em meio a um cenário de crise que envolve venda de ativos, venda de unidades de manutenção e call center, além de dificuldades na transferência de serviços públicos e contratos com empresas privadas.
Pagamento aos trabalhadores com até 150 salários mínimos
De acordo com o plano de falência, os funcionários com créditos de até 150 salários mínimos receberão suas indenizações na frente, ou seja, de forma prioritária. Aqueles com valores acima desse limite ainda não têm previsão de pagamento, pois seus créditos serão incluídos na massa falida, que passará por processo de liquidação. Ao todo, cerca de 2 mil funcionários permanecem na companhia neste momento.
Venda de ativos e organização interna
Para facilitar o pagamento de créditos e manter o funcionamento da rede, a Oi planeja vender seus principais ativos, incluindo as unidades de manutenção de rede, call center e imóveis. Atualmente, a empresa opera em 7.500 localidades no país, com mais de 4.600 contratos com o setor público e 10 mil com empresas privadas. A transferência dessas operações será coordenada pelo gestor judicial, com o objetivo de garantir a continuidade dos serviços.
Empresa de manutenção e call center
As unidades de manutenção de rede (Serviços de Rede – Serede) e call center (Brasil Telecom Call Center – Tahto) estão em recuperação judicial. A Serede conta com aproximadamente 5 mil funcionários com salários atrasados, enquanto a Tahto possui 5,8 mil empregados. Ambas serão vendidas pela Oi, que busca new parceiros e investidores interessados em seus ativos.
Remuneração, demissões e planos de saúde
O pagamento da primeira parcela do 13º salário será adiantado aos trabalhadores ainda este ano. Quanto às demissões, a previsão é que o processo aconteça em etapas, com alguns funcionários sendo desligados gradualemente. A manutenção do plano de saúde, considerado serviço essencial pela Justiça, ainda não tem definição de duração, e os empregados aguardam informações oficiais.
Transferência de serviços públicos e contratos
Após a decretação da falência, a transferência dos serviços públicos, como telefonia fixo, orelhões e atendimento a órgãos da polícia, será feita por meio de planos coordenados pelo Judiciário, incluindo possíveis venda ou transferência para outras operadoras. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o governo federal atuarão na definição dessas ações.
Além disso, contratos com empresas públicas, como a Caixa Econômica Federal, que mantém conectividade para lotéricas, e serviços de segurança digital, inteligência artificial e computação em nuvem também passarão por processo de transição. Atualmente, a Oi atende quase 10 mil contratos ativos para o setor privado, incluindo grandes varejistas, companhias aéreas e instituições financeiras.
Venda de unidades e imóveis
O processo de venda de ativos continua, com a venda da divisão Oi Soluções, responsável por serviços corporativos, estando em andamento, com sete empresas interessadas. A gestão judicial responde pelo processo, uma vez que o conselho de administração foi afastado pela Justiça. Quanto aos imóveis, muitos já foram vendidos, como o imóvel do Leblon, no Rio de Janeiro, mas a companhia ainda detém cerca de 7 mil bens que serão leiloados futuramente.
Perspectivas futuras para os trabalhadores e clientes
O cenário da Oi após a falência é complexo e ainda em fase de definição. O acompanhamento judicial visa assegurar que trabalhadores e consumidores tenham os seus direitos preservados, com a transferência de serviços essenciais e pagamento de indenizações progressivamente realizados. O desfecho da recuperação judicial e venda de ativos determinará o futuro da operadora no mercado brasileiro.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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