COP30: rumo a um novo modelo de civilização sustentável

A partir desta quinta-feira, 6 de novembro de 2025, Belém se transforma no centro mundial das discussões ambientais. A COP30 reúne um recorde de delegações, chefes de Estado e a forte participação popular, evidenciando a urgência de uma mudança profunda no modelo de desenvolvimento global.

Construindo um futuro sustentável além da crise climática

As discussões na conferência dividem-se entre os debates nas três zonas – Azul, Verde e Amarela -, refletindo a complexidade das questões ambientais e sociais. Contudo, o maior desafio vai além da crise climática: é a construção de uma nova civilização, capaz de equilibrar crescimento econômico, justiça social e preservação do planeta.

Os cinco eixos fundamentais da transição

Para avançar na direção de um modelo mais justo e sustentável, espera-se que a COP30 siga prioridades essenciais, como:

Transição energética justa

Fazer uma mudança rápida dos combustíveis fósseis para energias renováveis, promovendo uma reorganização produtiva global para que economias de baixo carbono se consolidem como padrão.

Combate ao desmatamento

Eliminar o desmatamento na Amazônia até 2030, apoiando mecanismos de proteção, monitoramento e valorização desses ecossistemas cruciais para o clima do planeta.

Financiamento climático

Fortalecer instrumentos financeiros para os países em desenvolvimento, garantindo recursos necessários para a transição energética e ações de adaptação às mudanças climáticas.

Políticas sociais e de adaptação

Implementar ações que atendam às populações vulneráveis, que já enfrentam os efeitos do aquecimento global em suas vidas cotidianas.

Reforçar o multilateralismo

Reforçar a cooperação internacional frente à crise, com confiança, ciência e acordos vinculantes, para enfrentar o aquecimento global de forma efetiva.

Desafios e possibilidades da transição global

O cenário para os países é de negociações complexas. Brasil, por exemplo, priorizará a preservação das florestas e o fim do desmatamento, enquanto países europeus podem evitar discutir o financiamento climático diante de crises econômicas internas. Produtores de petróleo, por sua vez, tentarão limitar avanços na redução do uso de combustíveis fósseis.

No entanto, há motivos de otimismo. Durante os últimos anos, avanços na energia solar e eólica, eletrificação de transportes e redução do desmatamento proporcionaram ganhos econômicos e ambientais. Países como China e Índia demonstram a possibilidade de desacoplamento entre crescimento econômico e emissões de gases de efeito estufa.

Apesar disso, as NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) atuais indicam um aumento de temperatura de cerca de 2,7°C, muito acima da meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento a 1,5°C a 2°C. Para o Brasil, essa projeção pode atingir 4°C, agravando secas, descongelamento da Amazônia e elevação do nível do mar.

O potencial do Brasil na transição para energias limpas

O Brasil possui um potencial único de geração de energia solar e eólica, podendo assumir uma posição de liderança mundial nessa transição. Com custos competitivos e fontes abundantes, o país pode impulsionar uma matriz energética limpa, promovendo desenvolvimento sustentável e inovador.

O avanço nesta direção é uma oportunidade de transformar o Brasil em uma potência de energia renovável, gerando empregos e impulsionando uma nova fase de crescimento econômico alinhada às metas globais de redução de emissões.

Expectativas para o futuro e a importância da ação coletiva

A continuidade do cumprimento do Acordo de Paris e a adoção de tecnologias já disponíveis demonstram que uma transição sustentável é possível, se houver compromisso político e responsabilidade partilhada. A crise climática simboliza também uma revolução histórica, semelhante às relevantes mudanças do passado, como o fim do feudalismo e a Revolução Industrial.

O sucesso da COP30 depende de uma ação coletiva global, que una esforços para construir uma sociedade mais justa, resiliente e sustentável. Como destacou Paulo Artaxo, professor da USP, o momento exige responsabilidade e liderança para que o caminho seja trilhado de forma responsável e eficaz, garantindo um legado de equilíbrio ambiental para as próximas gerações.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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