Ex-auditor fiscal preso tenta negociar delação, mas acusações continuam
Artur Gomes da Silva Neto, ex-auditor fiscal da Secretaria da Fazenda de São Paulo, preso desde agosto, permanece em negociações com o Ministério Público para um acordo de delação premiada. Segundo fontes, as tratativas estão travadas por ele ainda esconder parte dos recursos desviados, em meio a uma ampla investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro.
Perdas e obstáculos nas negociações de delação
As investigações revelam que o ex-auditor estaria ocultando parte do dinheiro obtido de forma ilegal. As conversas entre representação do MP e Artur começaram em 16 de setembro, na Penitenciária de Tremembé, e indicam que ele apontou contas na Suíça e em paraísos fiscais, além de sugerir que cerca de quinze funcionários públicos estariam envolvidos na fraude.
Embora as tratativas tenham sido abertas, o acordo permanece “congelado”, com o MP aguardando que Artur revele todos os detalhes do esquema de corrupção, que segundo apurações pode chegar a R$ 1 bilhão em recursos ilícitos. O advogado de Artur, Paulo Amador Bueno, não se manifestou até o momento.
Como funcionava o esquema de fraude fiscal
O esquema, revelado na Operação Ícaro em agosto, envolvia manipulação de processos administrativos para favorecer grandes varejistas, em troca de propinas pagos por uma rede de empresas. A propina, recebida por meio de uma empresa de fachada registrada no nome da mãe de Artur, Kimio Mizukami da Silva, ultrapassou R$ 1 bilhão.
Provas elaboradas a partir de quebras de sigilo telemático, incluindo mensagens e documentos como “project dolphin” e “operação Suíça”, mostram que recursos ilegais eram enviados para contas no exterior e lavados em negociações com empresas estrangeiras, como uma firma nos Emirados Árabes Unidos e nos Estados Unidos.
Desvio de recursos e relatos de golpes
Em uma troca de e-mails, Artur teria discutido um acordo comercial cujo pagamento não inclui identificação além de “projeto dolphin”, indicando um possível método de lavagem. Na operação “Suíça”, o ex-auditor alegou ter sido vítima de um golpe ao chegar às contas na Suíça, afirmando que perdeu cerca de R$ 50 milhões. No entanto, promotores consideram que ele tenta “passar a perna” nas investigações.
Investigações ampliadas e desdobramentos do esquema
Após o escândalo, novas investigações foram abertas contra empresas relacionadas ao esquema, incluindo Ultrafarma, Fast Shop, Grupo Nós (Oxxo), Kalunga e Autostar. A operação culminou em acordos de colaboração com algumas dessas varejistas, que confessaram ter repassado milhões em propinas para o ex-auditor.
A Fast Shop, por exemplo, firmou um acordo de não persecução penal de R$ 100 milhões, após transferir R$ 422,7 milhões à empresa de fachada Smart Tax, que funcionava como intermediária nas transações ilegais. O grupo afirmou colaborar com as investigações e reforçou seu compromisso com a legalidade.
Perspectivas futuras e impacto na investigação
Apesar do avanço nas apurações, o impasse na negociação de delação com Artur mantém a expectativa de que novas informações possam surgir, aumentando a complexidade do caso. Ainda não há uma previsão de quando as tratativas serão retomadas ou de eventual condenação do ex-auditor.
O Ministério Público mantém as investigações em andamento, com diversos procedimentos abertos contra empresas e indivíduos envolvidos no esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude fiscal, que pode ter causado prejuízos bilionários ao Estado de São Paulo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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