Exportações brasileiras para os EUA caem 37,9% em outubro com tarifas de Trump

No terceiro mês de vigência do tarifão do presidente americano Donald Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos sofreram uma forte queda de 37,9% em outubro, atingindo uma redução de US$ 1,4 bilhão em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira e refletem o impacto das sobretaxas de 50% sobre parte das vendas brasileiras ao mercado americano.

Queda expressiva nas vendas para os EUA contrasta com crescimento em outros mercados

Enquanto as exportações para os EUA recuaram drasticamente, o comércio com outras regiões apresentou expansão significativa. A Ásia, por exemplo, aumentou suas compras de produtos brasileiros em 21,2%, impulsionada principalmente pela China, que elevou suas aquisições em 33,4% (US$ 2,3 bilhões). Também houve crescimentos expressivos nas vendas para Índia (+55,5%), Singapura (+29,2%) e Filipinas (+22,4%).

Pior desempenho para petróleo, celulose, óleos combustíveis e aeronaves

Parte do recuo nas exportações brasileiras para os EUA se deve ao impacto das tarifas, que elevaram o custo de produtos como petróleo, celulose, óleos combustíveis e aeronaves. Em particular, os embarques de petróleo tiveram uma queda de 82,6%, representando uma perda de US$ 500 milhões. Outros setores igualmente afetados foram celulose (-43,9%), óleos combustíveis (-37,7%) e aeronaves e partes (-19,8%).

Exportações crescem em outros mercados apesar do impacto nos EUA

O movimento contrastante mostra que, mesmo com a retração nos Estados Unidos, o comércio externo brasileiro se mantém aquecido em outras regiões. Os embarques de soja, por exemplo, cresceram 64,5%, e as vendas de minério de ferro aumentaram 31,7%, com destaque também para o aumento na venda de carne bovina (+44,7%).

Em outubro, as exportações totalizaram US$ 31,97 bilhões e as importações, US$ 25,01 bilhões, resultando em saldo positivo de US$ 6,96 bilhões e uma corrente de comércio de US$ 56,98 bilhões. No acumulado de 2025, o país atingiu patamares recordes de exportação (US$ 289,73 bilhões), importação (US$ 237,33 bilhões) e saldo positivo de US$ 52,4 bilhões, consolidando um ano de forte crescimento no comércio exterior.

Avanços na agropecuária e indústria de transformação

Nos dez primeiros meses de 2025, a agropecuária registrou aumento de US$ 2,33 bilhões (3,6%), enquanto a indústria de transformação cresceu US$ 4,89 bilhões (3,2%). Por outro lado, a indústria extrativa sofreu retração de US$ 1,97 bilhão (2,9%), reflexo da queda de 23% nas importações de produtos dessa fabricação.

Impactos das tarifas sobre o desempenho comercial com os EUA

Apesar do crescimento geral do comércio brasileiro, a sobretaxa de 50% concedida pelo governo dos EUA pesou bastante nas exportações para o país. Além do recuo de 24,1% nas vendas em outubro, houve uma forte diminuição na demanda por petróleo, que caiu 82,6%. A situação reforça o impacto negativo das tarifas sobre a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.

Perspectivas e desafios futuros

Especialistas afirmam que, embora o Brasil mantenha recordes de vendas e importações em 2025, o cenário com os EUA evidencia a necessidade de diversificação de mercados e de políticas comerciais mais assertivas. O aumento das exportações para a Ásia e Europa mostra potencial de crescimento mesmo diante de obstáculos comerciais com os EUA, sendo essenciais para o robustecimento do comércio externo brasileiro.

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Com informações do Jornal Diário do Povo

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