Relatório propõe US$ 1,3 tri de financiamento para luta contra as mudanças climáticas

A presidência da COP 30, que ocorre em Belém, divulgou um relatório nesta terça-feira (5) que detalha uma proposta para aumentar até US$ 1,3 trilhão os recursos de países ricos destinados aos países em desenvolvimento na luta contra a crise do clima. A iniciativa defende ações diversas para ampliar o volume de doações, baratear o crédito e renegociar dívidas, visando acelerar o combate às mudanças climáticas até 2035.

Estratégias para ampliar o financiamento climático

Elaborado em conjunto com a presidência da COP 29, realizada em 2024 no Azerbaijão, o documento intitulado “Mapa do Caminho de Baku a Belém para 1,3T” apresenta uma trilha de ações para alcançar a meta de financiamento global. O relatório, de 80 páginas, lista cinco frentes principais que envolvem tanto recursos públicos quanto privados, além de especificar o destino dos recursos, entre mitigação — redução de emissões de gases de efeito estufa — e adaptação às mudanças climáticas.

Situação atual e desafios

Embora o documento não seja oficialmente parte da agenda das COPs, ele aponta que o volume atual de recursos destinados ao clima, entre US$ 115 bilhões e US$ 200 bilhões, é insuficiente diante da demanda. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA) e do painel de clima da ONU (IPCC), o mundo deve passar do aquecimento médio de 1,5°C, o que traz graves riscos ambientais e sociais (ONU).

Na ocasião, representantes destacaram que o valor considerado ideal para financiamento — US$ 1,3 trilhão — ainda está distante do que os países mais vulneráveis precisam para mitigar e se adaptar às mudanças climáticas.

Propostas para alcançar a meta de financiamento

O relatório aponta cinco frentes de atuação:

  • Reabastecer: aumentar o volume de ajuda financeira, incluindo doações, capital e empréstimos de baixo custo;
  • Reequilibrar: resolver problemas de endividamento que dificultam o acesso ao crédito por países pobres;
  • Redirecionar: ampliar o fluxo de capital privado para setores que oferecem retorno financeiro, mas que também atendem às metas climáticas;
  • Reformular: preparar os países receptores para utilizarem os recursos de forma eficiente;
  • Reestruturar: ajustar os sistemas financeiros globais para promover uma distribuição mais justa dos recursos.

De acordo com André Corrêa do Lago, presidente da COP 30, o documento evidencia a gravidade do endividamento de países menos desenvolvidos e nações ilhas, que dificultam o alcance das metas. “Já existem iniciativas em funcionamento, e a escala é o principal desafio”, afirmou.

Distribuição dos recursos e áreas prioritárias

O planejamento distribui os recursos entre cinco áreas distintas:

  • Adaptação e compensação por perdas e danos;
  • Transição energética e acesso à energia limpa;
  • Preservação e restauração da natureza;
  • Promoção de agricultura resiliente e de baixo carbono;
  • Combate às desigualdades climáticas e suporte às populações tradicionais.

As necessidades variam de acordo com as regiões. A Índia, por exemplo, precisará de mais ajuda na transição de sua matriz elétrica, enquanto a América Latina tem potencial para captar recursos privados em maior escala do que a África, que dependerá muito de recursos públicos.

Perspectivas e desafios futuros

Apesar do otimismo, Corrêa do Lago e Mukhtar Babayev, presidente da COP 29, reconheceram que o grande desafio será convencer os países desenvolvidos a adotarem essa proposta na COP 30. Ambos indicaram que a iniciativa pode evoluir paralelamente às negociações oficiais, fortalecendo alianças internas.

Karen Silverwood-Cope, do World Resources Institute (WRI), ressaltou que o sucesso da implementação dependerá do compromisso político e do desenvolvimento de mecanismos de monitoramento efetivos. “Será preciso vontade política e ações contínuas para alcançar esses objetivos”, afirmou.

O relatório também destaca a importância de que as ações sejam aceleradas, dada a urgência da crise climática, e reforça o papel de diferentes atores globais, incluindo o G20 e os BRICS, na transformação do sistema financeiro para o clima.

Por ora, o documento ainda não está incorporado oficialmente à pauta da COP 30, mas sua repercussão pode estimular uma maior mobilização internacional em busca de recursos e soluções pra enfrentar a crise climática.

Fonte: GLOBO

Com informações do Jornal Diário do Povo

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