Lula reforça prioridade de esclarecer equívoco em reunião com Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta sexta-feira (25) que, na reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não haverá temas veto, mas a prioridade será esclarecer o equívoco das taxações contra o Brasil, que aumentaram para 50% desde agosto. A conversa está marcada para o início da manhã de domingo, em Washington.
Brasil busca retomar relação civilizada com os EUA
Em entrevista coletiva na Indonésia, Lula afirmou que há potencial para avançar nas negociações e reconstruir uma relação civilizada com os Estados Unidos, que existe há 201 anos. “O presidente Trump sabe que o preço da carne e o valor do café estão altos lá. Quero explicar o que o Brasil espera dos EUA e o que temos a oferecer. Não há veto a nenhum assunto”, afirmou Lula, citando também o encontro com o presidente em uma tentativa de reestabelecer o diálogo.
Temas econômicos e tensões políticas na pauta
Entre os tópicos que podem ser abordados estão as sanções contra autoridades brasileiras e o conflito dos EUA com a Venezuela. Lula também deve retomar a questão do uso de moedas próprias em trocas comerciais, tema que incomoda Washington, especialmente por sua resistência ao reduzir a dependência do dólar.
Propostas do Brasil para lidar com o tarifaço
Segundo fontes do governo, Lula levará duas propostas para tratar do tarifaço de 50% imposto pelos EUA. A primeira prevê uma trégua enquanto durarem as negociações — a taxa retornaria aos 10% de abril. A segunda incluiria uma ampliação de exceções ao tarifão, beneficiando produtos como carne e café, com possibilidades de negociações adicionais.
Questões de moeda e cooperação bilateral
Lula deve também colocar na mesa a discussão sobre sanções a autoridades brasileiras e reforçar o apoio à utilização de moedas locais em transações, estratégia que busca reduzir a dependência do dólar e promover o fortalecimento do Sul Global. Segundo interlocutores do governo, o presidente deve reiterar a defesa de mecanismos financeiros alternativos e da diversificação das parcerias, como os sistemas de pagamento em moedas locais do Mercosul e do Brics.
O encontro ocorre após Lula defender a adoção de moeda própria em negociações internacionais, posição que gerou reações adversas de Trump, e que foi motivo de ameaça de tarifas extras durante o encontro do Brics no Rio de Janeiro. Na atual fase, a expectativa é que o avanço seja na base de discussões e formação de um grupo de trabalho para negociar detalhes posteriormente.
Perspectivas para o encontro e possíveis resultados
Especialistas indicam que o principal resultado esperado é a criação de um grupo de trabalho composto por representantes dos dois países, que possa definir os termos das negociações futuras. Segundo o ex-vice-presidente do Banco Mundial Otaviano Canuto, ainda há pouca expectativa de grandes acordos nesta primeira reunião, mas ele ressalta que há maior chance de avanços em relação ao passado.
Canuto destaca que, apesar de possibilidade de avanços, detalhes das negociações, como a inclusão de produtos como carne, café e minerais críticos, precisarão ser negociados posteriormente. O especialista também aponta que há uma tendência do Brasil tentar ampliar o uso de mecanismos de pagamento alternativos, especialmente com países do Brics, incluindo China, e estender esses sistemas a outros parceiros regionais.
O encontro entre Lula e Trump ocorrerá no domingo, com expectativa de que o Brasil reafirme sua estratégia de fortalecer parcerias e diversificar a economia internacional, além de tentar reverter o impacto das tarifas que prejudicam produtos brasileiros.
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Com informações do Jornal Diário do Povo
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