Compromissos das montadoras de veículos elétricos no Brasil são menos ambiciosos que em outros mercados
As montadoras que atuam no Brasil apresentam compromissos bem menos ambiciosos na fabricação de veículos elétricos (EVs) em comparação com mercados como China, Europa, Estados Unidos e Ásia. Segundo um relatório inédito do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT Brasil), nenhuma das dez maiores fabricantes no país ultrapassa 5% de vendas de EVs, enquanto em outros mercados a meta varia entre 50% e 100% de participação na produção.
Metas de elétricos e impacto nas metas de descarbonização
O estudo evidencia que esse cenário pode colocar em risco a meta brasileira de alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Segundo a Coalizão para a Descarbonização dos Transportes, o setor é responsável por cerca de 27% das emissões globais e por 11% das brasileiras. Atualmente, o índice de participação de veículos elétricos no Brasil é de apenas 6,5%, muito abaixo dos 37% na China, 18% na União Europeia e 9% nos Estados Unidos, revelam dados do instituto.
Políticas públicas e investimentos insuficientes
Programa Mobilidade Verde e inovação
Segundo o ICCT, o programa lançado pelo governo federal em 2023, chamado Mobilidade Verde e Inovação (Mover), ainda não promove a transição necessária. Dos R$ 130 bilhões previstos para investimentos de 2025 a 2030 por 14 montadoras, a maior parte destina-se à produção de veículos flex e híbridos, e não a elétricos puros. Os veículos flex emitem cerca de 155 g CO₂ equivalente por km, enquanto EVs, com matriz elétrica média, emitem aproximadamente 50 g.
Necessidade de políticas mais ambiciosas
Marcel Martin, diretor do ICCT Brasil, afirma que o país precisa de políticas públicas mais claras e ambiciosas. Ele destaca a importância de diretrizes que incentivem de fato a introdução de veículos de emissão zero, aproveitando a matriz elétrica limpa, vantagem que aumenta a eficiência na redução de emissões. Para isso, são fundamentais metas mais restritivas na segunda fase do programa Mover, além de mecanismos financeiros como o feebate ou o novo imposto seletivo, que tornariam os EVs mais acessíveis e refletiriam suas emissões no preço final.
“O Brasil tem potencial para liderar essa transição, mas isso depende de políticas consistentes e previsíveis”, avalia Martin. Segundo ele, a adoção de metas mais ambiciosas deve vir acompanhada de incentivos reais às montadoras e ao consumidor final para acelerar a penetração dos veículos elétricos no mercado nacional.
Desafios e riscos do mercado automotivo brasileiro
O estudo alerta que o Brasil corre o risco de ser dominado por tecnologias obsoletas, caso não defina prioridades na transição para veículos de zero emissão (ZEVs). O país ficou em sexto lugar nas vendas globais de automóveis em 2023, com mais de 2,3 milhões de unidades comercializadas, mas o leque de modelos elétricos disponíveis ainda é muito mais restrito do que em outros países.
Além disso, muitas montadoras que atuam no Brasil ainda não estabeleceram metas nacionais de redução de emissões, adotando apenas suas metas globais, que geralmente são menos ambiciosas. Uma das críticas é que essas políticas limitam o potencial do país de reduzir sua pegada de carbono no setor de transportes.
Perspectivas para o futuro da mobilidade elétrica no Brasil
Para ampliar a participação de EVs e alcançar suas metas climáticas, o país precisa de ações mais decididas. O destaque do estudo é a necessidade de criar mecanismos que tornem os veículos de emissão zero mais acessíveis, além de estabelecer metas mais restritivas para os próximos anos.
Segundo o relatório, políticas públicas claras, regras mais rigorosas e investimentos direcionados podem fazer do Brasil um líder regional na transição energética no setor automotivo, aproveitando sua matriz elétrica limpa e o potencial de inovação.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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