Secretário do Tesouro dos EUA promete opções para ajudar a Argentina
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que oferecerá “todas as opções para estabilização” da economia argentina ao presidente Javier Milei. A declaração ocorre em meio à negociação sobre possíveis ajuda financeira para a Argentina, que está queimando suas reservas internacionais para manter a cotação do dólar dentro da banda acordada com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Opções de ajuda e reunião em Nova York
Bessent e o presidente Donald Trump irão conversar com Milei nesta terça-feira em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU. Segundo o secretário, “mais detalhes estarão disponíveis logo após essa reunião”, e as alternativas em debate incluem linhas de swap cambial, recompras diretas no mercado de câmbio e emissão de dívida em dólares, conforme reportado pela agência Bloomberg. Veja mais
Contexto histórico e condições para o auxílio
Ajuda similar no passado
Nos anos 1990, os Estados Unidos, por meio do Fundo de Estabilização do Tesouro, já concederam empréstimos emergenciais ao México e ao Uruguai, sob condições rigorosas. Em 1995, o México recebeu US$ 20 bilhões, condicionados à redução de gastos públicos e controle da inflação, lembram analistas.
Desafios atuais e possíveis restrições
De acordo com Sebastián Maril, diretor regional da Latam Advisors, a ajuda ao país deve ser menor, abaixo de US$ 10 bilhões, devido ao alto nível de dívida argentina com o FMI e à oposição política nos EUA, especialmente do Partido Democrata a uma assistência maior. Além disso, especialistas alertam que, se os EUA forem ajudar, potencialmente exigiriam limitações na intervenção cambial e uso de reservas, além do não uso do swap com a China.
Perspectivas de ajuda e cenários futuros
Segundo Héctor Torres, ex-representante argentino no FMI, o apoio poderia incluir o fornecimento de Direitos Especiais de Saque (DES), mas valores elevados, como US$ 30 bilhões, parecem excessivos para uma recuperação do peso argentino. O cenário também pondera a possibilidade de o Fundo Monetário Internacional ampliar sua ajuda, embora com condições mais rígidas.
Manuel Adorni, porta-voz da Casa Rosada, ressaltou que uma intervenção do Fundo de Estabilização dos EUA só ocorreu duas vezes na história, em crises do México e do Uruguai, e que a ferramenta ainda poderá ser utilizada se necessário. Milei participa de negociações enquanto enfrenta instabilidade econômica, com aumento da desaprovação popular e dificuldades políticas internas.
Impactos e desafios da crise argentina
A combinação de quebras de reservas, eleições próximas e aumento dos gastos públicos complicam a situação econômica do país. O governo de Milei, que já anunciou uma suspensão temporária de tarifas de exportação de grãos para atrair dólares, enfrenta pressão tanto no mercado interno quanto na política internacional.
Especialistas avaliam que, embora o apoio dos EUA possa ocorrer, sua dimensão e condições dependerão do andamento das negociações e da aprovação do Congresso americano, que ainda deve ser influenciada por disputas políticas internas. O cenário revela que a ajuda internacional à Argentina permanece incerto, com fatores econômicos e políticos pesando na decisão final.
Fonte: O Globo Economia
Com informações do Jornal Diário do Povo
Share this content:













Publicar comentário