Lula busca diálogo multilateral para enfrentar tarifaço dos EUA e fortalecer parcerias globais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende realizar uma videoconferência com líderes do BRICS e da União Europeia para discutir o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A iniciativa faz parte de uma estratégia de reforçar o multilateralismo e ampliar os laços com parceiros internacionais, em meio às tensões diplomáticas com Washington.

Diálogo com lideranças globais e preparação da videoconferência

Na próxima semana, Lula deve entrar em contato telefônico com os presidentes da União Europeia, Ursula von der Leyen, e da África do Sul, Cyril Ramaphosa, além do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Também foram convidados o presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz. Nos últimos dias, o presidente brasileiro conversou com Xi Jinping, Vladimir Putin e Narendra Modi, reforçando o esforço de aproximação internacional.

Compatibilização de agendas e desafios logísticos

Para a realização da videoconferência, será necessário ajustar horários considerando fusos diferentes, como na China, onde já são quase 23h, e no Brasil, que está ao meio-dia. A equipe presidencial trabalha para que o encontro seja realizado em breve e com todas as lideranças presentes.

Lula busca alianças contra o impacto do tarifaço dos EUA

Segundo fontes do governo, a estratégia de Lula envolve ampliar a relação do Brasil com diversos países, especialmente aqueles mais afetados pelo aumento de tarifas estadunidenses, como China, Índia, Rússia, França e Alemanha. “Estou falando com todo mundo”, afirmou o presidente na quarta-feira, durante evento no Palácio do Planalto, ao anunciar medidas de socorro aos setores impactados pelo tarifaço.

O objetivo dessa aproximação é evitar o isolamento econômico e fortalecer a cooperação em diversas áreas, incluindo comércio, inovação e sustentabilidade, além de tentar reduzir o impacto das sobretaxas aplicadas por Washington.

Relações deterioradas entre Brasil e EUA e esforços na OMC

Desde 9 de julho, as relações entre Brasil e Estados Unidos vêm se agravando. O governo americano vinculou a sobretaxa à suspensão de processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, envolvendo questões judiciais no STF. O Brasil recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) em busca de diálogo, mas ainda não obteve avanços.

Na próxima segunda-feira, o governo enviará um relatório às autoridades americanas indicando práticas investigadas por Washington em áreas como comércio, digital, desmatamento, combate à corrupção e propriedade intelectual. O governo brasileiro também critica ataques frequentes da Casa Branca ao Judiciário e a servidores públicos.

Perspectivas futuras e impacto internacional

Apesar das dificuldades, Lula enfatiza a importância do diálogo multilateral para a resistência às medidas protecionistas dos EUA e para buscar uma revitalização do comércio internacional. A estratégia do Brasil inclui fortalecer alianças no BRICS e na União Europeia enquanto mantém conversas abertas com os Estados Unidos, visando um ambiente internacional mais equilibrado e colaborativo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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