Tarifa de Trump entra em vigor e afeta exportações brasileiras para os EUA
Nesta quarta-feira (6), começa a valer a tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, sem um diálogo oficial entre Brasil e Casa Branca. A medida, anunciada por Donald Trump, atingirá aproximadamente 35,9% das exportações brasileiras para os EUA, impactando setores como carne, café e frutas.
Impactos da tarifa de Trump sobre as exportações brasileiras
De acordo com informações do governo brasileiro, setores vitais do comércio externo, especialmente o agronegócio, já sentem efeitos da sobretaxa. O impacto deve ser sentido principalmente em produtos perecíveis, como pescados, frutas e mel, além de gerar preocupações com a cadeia produtiva nacional. O ministro da Agricultura, Fernando Haddad, afirmou que é necessário manter otimismo e que o governo dará atenção especial aos setores mais vulneráveis.
Segundo técnicos do setor, cerca de R$ 2 bilhões em garantias de crédito poderão estimular até R$ 20 bilhões em empréstimos para empresas afetadas, por meio de linhas de financiamento com carência e prazos alongados, operadas em parceria com o BNDES. Essa iniciativa faz parte de um pacote de contingência para minimizar os efeitos econômicos do tarifão.
Medidas de proteção e estratégias de reação do governo
Parte do plano inclui a compra governamental de produtos que deixariam de ser exportados, especialmente de bens de consumo rápido. O Ministério da Agricultura estuda também aumentar a exigência de produtos naturais na fabricação de sucos, iogurtes e sorvetes industrializados. Uma outra estratégia é a tentativa de renegociar condições comerciais, evitando uma escalada de conflito com o governo americano.
Reações e perspectivas do governo brasileiro
O presidente Lula criticou a decisão de Trump, afirmando que o tarifão é eleitoral e reforçando que o Brasil possui reservas de minerais raros, como o nióbio, que não devem ser explorados de forma indiscriminada. Lula disse ainda que o governo busca construir uma política nacional que assegure ganhos para o povo brasileiro na exploração desses recursos.
Durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social, Lula destacou a importância de fortalecer a negociação e contou que tentará convidar Trump para a COP30, evento climático que ocorre no Brasil. Ainda assim, o tom é de resistência, sobretudo diante da ausência de sinalizações de diálogo aberto por parte dos Estados Unidos.
Reações do setor produtivo e o futuro das negociações
Empresas como a Embraer já reportaram prejuízos devido às tarifas, tendo registrado um volume de perdas de R$ 53 milhões no último trimestre. Ainda que a situação seja desafiadora, aliados do governo avaliam que os instrumentos econômicos disponíveis podem mitigar os efeitos da sobretaxa enquanto negociações mais efetivas são buscadas.
Representantes de setores produtivos demonstram preocupação com a dificuldade de redirecionar encomendas específicas, já que produtos embarcados antes da entrada em vigor da tarifa não serão atingidos, e operações com mercadorias em armazém poderão ser feitas até 5 de outubro sem incidência da medida.
Próximos passos e expectativa de negociações
O governo brasileiro prepara um plano de resposta que será anunciado em etapas, inicialmente focado em itens perecíveis. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que há expectativa de contato com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para reforçar a busca por condições comerciais mais favoráveis.
Embora o diagnóstico seja de que o impacto econômico será superável temporariamente, o governo mantém firme a postura de negociar e assegurar que a relação bilateral não seja completamente danificada por essa medida unilateral. O dia D do tarifão marca o início de uma nova fase de negociações para o Brasil.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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