Efeito do tarifão de Trump: governo brasileiro se prepara para proteger setores afetados

A partir desta quarta-feira, entra em vigor o tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, anunciado por Donald Trump há quase um mês. Com uma sobretaxa de até 50%, o governo brasileiro busca alternativas para minimizar os prejuízos aos setores mais afetados, especialmente o agronegócio, que representa uma parcela significativa das exportações ao país norte-americano.

Medidas de proteção e apoio ao setor exportador

O governo ainda está finalizando as estratégias de proteção aos empregos e às empresas afetadas pelo aumento nas tarifas. Segundo técnicos do Ministério do Trabalho e Emprego, há duas principais alternativas em discussão: o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), criado em 2015, e o de Apoio Financeiro, lançado ano passado, voltado para empregadores do Rio Grande do Sul atingidos por enchentes. Ambos dependem de negociações com sindicatos e de comprovação de perdas no faturamento devido às exportações reduzidas.

Propostas de apoio financeiro e linhas de crédito

Uma das principais ações planejadas é a criação de uma linha de crédito subsidiada pelo BNDES, com juros reduzidos e prazos alongados, direcionada ao setor agropecuário e à indústria de alimentos. A expectativa é que garantias entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões possam estimular até R$ 20 bilhões em empréstimos, fortalecendo categorias como carne, café e frutas, que têm grande peso na pauta exportadora.

Além disso, o Executivo estuda a implementação de programas de compra governamental de produtos perecíveis, buscando escoar produções de pescados, frutas e mel que poderiam ser prejudicadas pelo aumento de tarifas americanas. Para isso, solicitou às empresas uma lista de produtos e preços necessários para garantir a viabilidade das compras públicas.

Impactos e expectativas diante da tarifação

Estimativas iniciais indicam que o tarifaço pode afetar cerca de dois milhões de trabalhadores de aproximadamente dez mil empresas brasileiras. O governo mantém a esperança de que Trump reverta a decisão diante da pressão do setor produtivo, especialmente na carne e no café, considerados estratégicos na relação comercial bilateral.

As negociações ainda envolvem discussão sobre o formato de apoio ao mercado, com a probabilidade de o Governo brasileiro optar por acordos coletivos de trabalho, proibindo negociações individuais para a redução de jornada ou salários, em uma tentativa de evitar maiores impactos sociais.

Medidas adicionais e estratégias de longo prazo

Outro foco do governo é ampliar o uso de insumos nacionais na fabricação de produtos industrializados, como sucos, iogurtes e sorvetes, aumentando a exigência de matérias-primas naturais. Essa medida visa fortalecer a cadeia produtiva local e reduzir a dependência de ingredientes químicos e importados, além de criar uma diferenciação de mercado.

As decisões finais estão previstas para serem anunciadas nas próximas semanas, após o mapeamento detalhado do setor exportador e a definição do melhor formato de apoio. A expectativa é que as ações ajudem a mitigar os efeitos econômicos da tarifa, preservando empregos e fortalecendo a competitividade brasileira.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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