Lula critica tarifa de Trump e reforça defesa da soberania brasileira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira (5) a sanção tarifária de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula afirmou que o governo norte-americano poderia ter entrado em contato com ele ou com o vice-presidente Geraldo Alckmin para negociar, e que ninguém pode impor “ligação de negociação”.
Lula acusa Trump de agir por motivos eleitorais e reforça diálogo com líderes mundiais
Segundo Lula, a justificativa de Trump para aplicar as tarifas, relacionada ao julgamento de Bolsonaro pela trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), é uma justificativa eleitoral. “Esse pretexto não é nem político, é eleitoral”, afirmou durante reunião do Conselho de Governo, o Conselhão.
O petista destacou que, em sua experiência, ninguém é obrigado a aceitar imposições sem diálogo. “Já lidei com muitos magnatas no mundo. O presidente dos Estados Unidos poderia ter pegado o telefone, ligado pra mim, pra Alckmin, estaríamos aptos a negociar”, declarou.
Convite para COP e apelo ao multilateralismo
Lula revelou que pretende convidar Trump para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP), que será realizada em Belém, em novembro. “Vou ligar para Trump para convidá-lo para a COP, quero saber o que ele pensa da questão climática. Também vou convidar Xi Jinping, da China, e Narendra Modi, da Índia”, afirmou.
O presidente reforçou que o respeito à soberania é fundamental para o funcionamento do sistema internacional. “Não é possível o mundo dar certo se perdermos o respeito à soberania, à integridade territorial e ao Poder Judiciário dos países”, afirmou. Ele salientou que o multilateralismo foi uma conquista após a Segunda Guerra, mas que atualmente passa por dificuldades, com negociações acontecendo de forma individualizada.
Reação de Lula ao tarifaço dos EUA e o Conselho de Apoio
Lula, que reuniu nesta manhã o Conselho de Governo em Brasília em busca de respaldo à reação do Brasil aos tarifões, afirmou que fez um discurso sério na reunião, optando por leitura para “medir cada palavra”. Diversos conselheiros abordaram o tema, incluindo Priscilla Nasrallah, que pediu o adiamento da entrada em vigor das tarifas devido aos riscos de deterioração dos produtos.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes, declarou que o tarifaço é “uma grande injustiça por parte de uma potência que aprendemos a admirar”. Ele avaliou que, embora possa haver impacto, o episódio também representa uma oportunidade para fortalecer a economia brasileira.
Novo impacto na política e no Conselho
O encontro marcou a troca de integrantes do Conselho, que passou a contar com nomes como a atriz Dira Paes, o ex-jogador Raí, a historiadora Heloísa Starling e a ativista Txai Suruí. A iniciativa visa renovar o colegiado para que possa contribuir com ideias e projetos na reta final do mandato de Lula, que pretende disputar a reeleição em 2026.
O Conselho de Governo nasceu na gestão de Lula, com o objetivo de buscar apoio para políticas públicas, mas perdeu relevância ao longo do tempo. Retomado em 2023, passou por sua quinta reestruturação, sem alcançar a influência de anos anteriores.
Mais detalhes sobre a posição de Lula e as implicações das tarifas externas podem ser conferidos na reportagem do O Globo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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