União Europeia aprova acordo comercial com o Mercosul

Os países da União Europeia (UE) anunciaram ontem a aprovação do acordo comercial com o Mercosul, que configura a maior zona de livre circulação do mundo, englobando mais de 720 milhões de consumidores e responsável por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) global. O tratado será assinado no próximo dia 17 no Paraguai, país que preside a rodada de negociações neste momento.

Impacto e negociações

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo ganhou força no último ano, especialmente em virtude do aumento de tarifas dos Estados Unidos. Analistas afirmam que a postura de Donald Trump acelerou a concretização do tratado, que visa fortalecer o protagonismo europeu no cenário global.

Reações e posições políticas

Apesar da aprovação, há resistência por parte de alguns países europeus. França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda manifestaram posições contrárias, enquanto a Bélgica optou pela abstenção. A Itália, por sua vez, mudou sua postura, apoiando o acordo após concessões aos agricultores. Além disso, agricultores de diversos países protestaram contra o pacto.

Relevância estratégica e perspectivas econômicas

Segundo Leandro Gilio, professor do Insper Agro Global, o acordo é fundamental para que a UE cresça em um cenário geopolítico instável. “O acordo cria um espaço de interesses comuns, reforçando valores como democracia e direitos humanos”, afirma. Para o especialista, a aproximação entre os blocos deve impulsionar cadeias produtivas mais competitivas e estimular investimentos em setores estratégicos, como energia renovável e tecnologia.

Roberto Jaguaribe, conselheiro do Cebri, destaca que o tratado amplia as oportunidades para o Brasil e demais países do Mercosul, incluindo a criação de cotas de exportação de carne de porco e outros produtos, além de reduzir tarifas em queijos, vinhos e bebidas destiladas.

Próximos passos e efeitos imediatos

A assinatura oficial será no Paraguai, em 17 de janeiro. Para que o acordo entre em vigor, é necessária a ratificação do Parlamento Europeu, que exige maioria simples, podendo levar semanas. Além disso, cada país do Mercosul também precisa aprovar o tratado internamente. Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, a expectativa é que o acordo passe a valer ainda neste ano, fortalecendo o comércio bilateral.

Reforço ao multilateralismo

Luiz Inácio Lula da Silva considerou a aprovação um marco para o multilateralismo, destacando que, em um cenário de protecionismo, o tratado reafirma o compromisso com o comércio internacional e a cooperação entre os blocos. “Este acordo é um sinal de que ainda há espaço para soluções negociadas”, afirmou o presidente.

Impacto econômico e geopolítico

Estudos indicam que o acordo pode gerar um aumento de até US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras, com ganhos significativos para o setor industrial europeu, especialmente automotivo, químico e farmacêutico. Entre os benefícios, está a redução de tarifas em produtos agrícolas, como queijos e vinhos.

A participação europeia na América do Sul também amplia sua presença frente ao avanço econômico do continente asiático, principalmente China e Japão, que ainda não possuem acordos similares com a UE, reforçam especialistas.

Desafios e expectativas

Embora o acordo seja visto positivamente por economistas, especialistas alertam que seus efeitos necessários para o crescimento econômico dependem de um ambiente interno favorável nos países-membros. “Nenhum acordo é neutro; setores podem perder enquanto outros ganham”, avalia Lia Valls, pesquisadora do FGV Ibre.

Segundo ela, a implementação gradual do tratado visa garantir o equilíbrio entre as partes, mas os efeitos práticos podem levar anos para se concretizar totalmente. Ainda assim, o controle político e as negociações destacam a importância do pacto para a integração regional e global.

Colaboraram nesta matéria Bruna Lessa, com agências internacionais.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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