Trump intensifica ataque contra diretora do Fed em meio a disputa judicial
O ex-presidente Donald Trump intensificou sua pressão contra Lisa Cook, diretora do Federal Reserve, ao enviar uma nova denúncia por suspeitas de fraude hipotecária. A acusação ocorre momentos antes de uma audiência crucial em Washington que pode definir sua permanência no cargo.
Denúncias sem evidências concretas elevam disputa no Fed
A denúncia mais recente, enviada à procuradora-geral dos EUA, Pamela Bondi, envolve um imóvel em Massachusetts, onde Cook teria declarado uma residência principal fraudulenta na compra de uma hipoteca de US$ 361 mil em 2021. Segundo o documento, ela teria declarado o imóvel como residência secundária, mas posteriormente afirmou que o usava como imóvel de investimento, após declarar renda de aluguel entre US$ 15 mil e US$ 50 mil.
Contexto da crise e impacto na autonomia do banco central
A acusação ocorre às vésperas de uma audiência marcada para as 10h (horário de Washington), na qual a juíza Jia Cobb decidirá se concede uma liminar para impedir a demissão de Cook, defendida por ela contra os pedidos de Trump. A juíza, indicada pelo presidente Joe Biden, analisará o pedido de restrição imediato, que representaria uma medida de proteção à sua permanência no Fed.
Repercussões políticas e jurídicas
Este episódio marca o início de uma batalha jurídica que promete ser longa, moldando a narrativa sobre a autonomia do banco central americano. A disputa ocorre em um momento delicado, com Trump tentando influenciar as decisões do Fed ao pressionar por cortes nas taxas de juros e buscar controle maior sobre o Conselho de Diretores.
Reações de Cook e o contexto da investigação
Cook, que acionou a Justiça Federal contra o próprio presidente, argumenta que sua tentativa de destituição é ilegal e visa neutralizar sua atuação. Seus advogados sugeriram que os problemas com as declarações hipotecárias poderiam ser resultado de um erro administrativo, enquanto o Departamento de Justiça já sinalizou a intenção de investigar as denúncias apresentadas.
Bill Pulte, diretor da Agência Federal de Financiamento da Habitação, que liderou a denúncia, afirmou que as alegações contra Cook podem configurar violações criminais e declarações falsas, buscando assegurar que ela permaneça no cargo enquanto a controvérsia se desenrola. Pulte também acusou Cook de atuar na tentativa de manipular o mercado imobiliário em favor de interesses pessoais.
Possíveis desdobramentos futuros
A decisão de hoje será determinante para definir o futuro de Lisa Cook na presidência do Federal Reserve, numa disputa que atravessa o cenário político e judicial dos Estados Unidos. Caso a liminar seja negada, a presidente do Fed enfrentará a possibilidade de ser demitida por Trump, embora ela continue a resistir na Justiça.
As próximas horas serão decisivas para avaliar não só o futuro de Cook, mas também a autonomia institucional do Federal Reserve, um tema que ganhou destaque em meio às tensões entre os poderes em Washington.
Fonte: O Globo
Com informações do Jornal Diário do Povo
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