Trump ameaça elevar tarifas contra a China em mais 100%

Nesta sexta-feira (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que irá impor tarifas adicionais de 100% contra a China a partir de 1º de novembro, em uma nova escalada na disputa comercial entre as duas potências. A medida pode ser adotada antes do prazo, dependendo de ações do país asiático, segundo o republicano, que também anunciou a implementação de controles de exportação sobre softwares críticos.

Trump sobe o tom contra a China e ameaça tarifas

Mais cedo, Trump acusou a China de controlar a exportação de elementos ligados às terras raras, essenciais para a indústria tecnológica mundial. Ele também manifestou dúvidas sobre um encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, previsto para a Cúpula da APEC, na Coreia do Sul, afirmando não ver mais motivos para a reunião. Pequim ainda não confirmou oficialmente o encontro.

Em publicação na Truth Social, o mandatário americano declarou que os Estados Unidos avaliam um “aumento massivo” nas tarifas e outras medidas retaliatórias, que reforçam a possibilidade de uma retomada na guerra comercial.

Controle de terras raras e impacto global

Trump revelou que a China tem enviado cartas a países ao redor do mundo, anunciando planos de impor controles de exportação sobre elementos usados na produção de terras raras — um grupo de 17 minerais essenciais para tecnologias como chips e ímãs de alta performance. Ele alertou que a medida “congestionaria” os mercados globais e dificultaria a vida de diversos países, especialmente a própria China.

“Ninguém jamais viu algo assim; essencialmente, isso ‘congestionaria’ os mercados e tornaria a vida difícil para quase todos os países — especialmente para a própria China”, afirmou Trump. Ele ressaltou que os Estados Unidos possuem posições monopolistas mais fortes e abrangentes do que Pequim, e que, pela primeira vez, está considerando usar essas posições como medida de força.

Reação dos mercados e respostas internacionais

As declarações de Trump tiveram efeito imediato nos mercados norte-americanos, com o índice S&P 500 caindo 2% após a publicação. Investidores buscaram refúgio em títulos do Tesouro dos EUA, provocando uma queda nos rendimentos desses papéis e o aumento do valor do ouro. O dólar também enfraqueceu-se diante de uma cesta de moedas externas.

Até o momento, a Casa Branca e a embaixada chinesa em Washington não se posicionaram publicamente. Procurados, o Departamento de Comércio dos EUA e o Tesouro americano não responderam aos pedidos de comentário realizados pela Reuters.

Respostas do governo chinês

Na véspera, Pequim anunciou a inclusão de cinco novos elementos na lista de controle de exportações e intensificou as ações de fiscalização sobre o uso de semicondutores e tecnologias de refino. O governo chinês também passou a exigir que produtores estrangeiros de terras raras respeitem as regras nacionais.

Segundo dados oficiais, a China lidera a produção mundial de mais de 90% das terras raras processadas e dos ímãs utilizados em diversas tecnologias avançadas. Essa posição de domínio aumenta a preocupação de Washington com o potencial de controle econômico que Pequim pode exercer.

Perspectivas de conflito e impacto mundial

Trump destacou que as cartas chinesas detalham a intenção de reter elementos essenciais usados na fabricação de produtos de outros países, reforçando a hostilidade comercial. Ele atribui o momento de escalada a uma estratégia de Pequim de manter o “cativeiro” do mercado global, enquanto os EUA também possuem capacidades monopolistas que só agora estão sendo acionadas.

“Se a China continuar com essa atitude, não teremos alternativa a não ser usar nossas posições de força, o que impactará significativamente o mercado global”, alertou o presidente americano.

Especialistas avaliam que a reativação de tarifas e controles de exportação pode provocar uma nova rodada de retaliações entre as maiores economias do mundo, prejudicando cadeias de produção globais e ampliando incertezas econômicas internacionais.

O momento também coincide com a recente estabilização parcial do Oriente Médio, após longos séculos de conflitos, o que aumenta ainda mais o impacto potencial de uma escalada entre Washington e Pequim na economia global.

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário