Treinador de futebol indiano aparece como sócio de empresa relacionada a empréstimo de R$ 468 milhões do Banco Master
Um técnico espanhol do clube NorthEast United, da Super League indiana, surge como sócio de uma empresa que recebeu um empréstimo de R$ 468,8 milhões do Banco Master, enquanto investe valores semelhantes em fundos administrados pela Reag. O treinador, porém, nega qualquer relação com empresas no Brasil e afirma desconhecer o negócio.
Investigação revela conexões suspeitas com o Banco Master
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o Banco Master concedia empréstimos que não eram pagos, gerando receitas apenas no papel. As investigações apontam que o banco repassava recursos a empresas que, posteriormente, transferiam quase todo o valor a fundos administrados pela Reag, composta por papéis de baixa liquidez. Essa cadeia de transações facilitava a reavaliação dos títulos, inflando seus valores de forma exorbitante, com uma das operações apresentando valorização de mais de 10 milhões por cento, sem respaldo de mercado.
Empresa suspeita e relação com o técnico espanhol
Uma das empresas envolvidas é a BMQ Mirage, registrada em São Paulo como atacadista de produtos alimentícios, que recebeu inicialmente R$ 468,8 milhões e, logo depois, aportou aproximadamente R$ 444 milhões em um fundo ligado à Reag. Segundo as investigações, Juan Pedro Benali Hammou, treinador do NorthEast United, é listado como sócio da empresa. Ele, porém, nega qualquer ligação comercial no Brasil e afirma desconhecer a firma.
Na ficha cadastral, o espanhol consta como residente em Abu Dhabi e confirma sua nacionalidade. Ele relata ter morado nos Emirados Árabes Unidos e demonstra surpresa ao ver seu CPF associado à empresa, afirmando desconhecer o documento. “Sou um treinador de futebol. Não faço ideia de uma empresa no Brasil. Só conheço pessoas ligadas ao futebol”, declarou Juan Pedro.
Participação do técnico e implicações legais
O advogado de Juan Pedro afirmou inicialmente que o empréstimo com o Banco Master foi quitado, depois corrigindo a informação, dizendo que a operação não se concretizou e o contrato foi desfeito. Quanto ao aporte no fundo administrado pela Reag, a defesa alegou que não houve investimento real, apenas uma questão contábil, o que condiz com as investigações do MPF.
Investigações também indicam que o técnico foi registrado como sócio-investidor estrangeiro, mas sua participação não foi formalmente confirmada pelo próprio treinador, que reforça desconhecer qualquer vínculo empresarial. Questionado pela reportagem, Juan Pedro demonstrou preocupação: “Como eles conseguiram a minha assinatura? Estou ficando com medo”.
Contexto e antecedentes da Reag
A Reag tem um histórico controverso, com suspeitas de ligação com grupos criminosos e envolvimento em operações fraudulentas financeiras, incluindo o extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Segundo dados da Compliance Zero, os fundos administrados por ela operavam através de transações-relâmpago, inflando valores de títulos considerados de baixa liquidez e reavaliando ativos de forma artificial, em um esquema que revela uma complexa rede de fraude financeira.
Próximos passos e desdobramentos
As investigações continuam em andamento, e o MPF busca esclarecer o papel de todas as pessoas envolvidas, incluindo o técnico. A expectativa é que novas informações e possíveis processos judiciais sejam formalizados nos próximos meses, ampliando o debate sobre a fiscalização do setor financeiro e os riscos sistêmicos envolvidos.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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