Terras raras no Brasil: reservas estratégicas e potencial de exploração

As terras raras, elementos utilizados na fabricação de produtos de alta tecnologia como smartphones e energias renováveis, têm ganhado atenção global. Apesar de possuir a segunda maior reserva no mundo, o Brasil ainda explora pouco esses minerais. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, o país detém cerca de 21 milhões de toneladas dessas reservas, concentradas principalmente nos estados de Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.

Reserva brasileira e sua importância estratégica

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a China lidera o ranking global com 44 milhões de toneladas, enquanto o Brasil vem na segunda posição, com 23% das reservas mundiais. Esses minerais são essenciais para a produção de ímãs de alto desempenho, utilizados em ímãs de neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, utilizados em setores como eletrônica, energia limpa e medicina.

Localizações e potencialidades no Brasil

Minas Gerais

Em Minas Gerais, a única reserva oficialmente reconhecida está em Araxá, associada a minerais como apatita e calcita. Na região de Poços de Caldas, empresas de mineração estimam recursos de aproximadamente 950 milhões de toneladas, com teor médio de 0,25% de óxidos de terras raras. Além disso, há ocorrências em Tapira, reconhecida por minerar fosfato, nióbio e titânio.

Goiás

Goiás se destaca por abrigar a única mina operando com elementos terras raras no país, localizada em Minaçu, município com recursos estimados em cerca de 910 milhões de toneladas. Essa mina utiliza argila iônica, considerado o principal método mundial de extração de terras raras pesadas, tecnologia até então dominada pela China. Há também projetos em Nova Roma e Catalão, com reservas significativas.

Amazonas

No Amazonas, os depósitos de Seis Lagos e Pitinga concentram alta potencialidade, com recursos estimados em 43,5 milhões de toneladas no primeiro. Entretanto, a exploração dessas áreas enfrenta obstáculos por questões ambientais e indígenas, como a reserva de Seis Lagos, protegida por lei. A área de Pitinga é reconhecida por sua diversidade mineral, incluindo terras raras, mas ainda sem extração específica.

Bahia

Na Bahia, o Complexo de Jequié possui depósitos de terras raras com teores elevados, chegando a 40,5% em alguns rochos. Os projetos Pelé e Velhinhas identificaram mineralizações com alto índice de TREO, além de minerais como nióbio, urânio e tântalo, reforçando o potencial econômico da região.

Sergipe

No norte de Sergipe, depósitos de monazita em dunas e cordões litorâneos foram identificados, com recursos estimados em 196 milhões de toneladas e concentração de 0,4% de monazita. Apesar de recente, a região apresenta possibilidades de desenvolvimento na extração desses minerais.

Perspectivas e desafios futuros

Apesar do potencial signficativo de reservas, a exploração de terras raras no Brasil ainda é incipiente comparada a países como a China. Barreiras técnicas, ambientais e de infraestrutura dificultam o desenvolvimento de uma cadeia produtiva mais robusta no país. Especialistas apontam que investimentos em tecnologia de extração e processamento podem ser decisivos para transformar o Brasil em player relevante no mercado global dessas commodities estratégicas.

Fonte: IG Economia

Com informações do Jornal Diário do Povo

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