Telegram tem US$ 500 milhões em títulos russos congelados

O Telegram possui em torno de US$ 500 milhões em títulos russos ainda congelados na Rússia, devido às sanções impostas pelo Ocidente. A informação foi divulgada pelo jornal Financial Times, que destacou a exposição financeira do aplicativo ao país, mesmo após Pavel Durov, seu fundador, tentar romper vínculos com Moscou.

Detalhes das emissões de títulos e congelamento

Segundo a reportagem, o Telegram lançou várias emissões de títulos nos últimos anos, incluindo US$ 1,7 bilhão em maio passado, principalmente para recomprar dívidas existentes. Pessoas próximas às discussões do aplicativo com investidores confirmaram que a maior parte dos títulos com vencimento em 2026 foi recomprada pelo Telegram. Contudo, confirmou o congelamento de US$ 500 milhões em títulos russos.

Decisão de quitar a dívida congelada

A empresa informou aos detentores dos títulos que planeja quitar a dívida na data de vencimento, cabendo ao agente pagador decidir se o pagamento será repassado aos investidores russos. O Financial Times ressalta que as revelações evidenciam a vulnerabilidade do Telegram diante das sanções, que complicam seus pagamentos de dívidas e recompra de títulos.

Processos judiciais na França e impacto na IPO

O momento em que surgem essas informações coincide com a avaliação de Durov sobre uma possível oferta pública inicial (IPO) da empresa, embora os planos estejam adiados devido a processos judiciais na França. O fundador do Telegram, que possui cidadania francesa e dos Emirados Árabes Unidos, está sob investigação formal em Paris desde 2024 por suposta omissão no combate a atividades criminosas, como conteúdo de abuso infantil. Durov nega irregularidades.

Repercussões na estratégia do aplicativo

De acordo com o FT, os detentores de títulos do Telegram monitoram de perto o caso na França, temendo que a ação judicial possa inviabilizar seus planos de IPO, previamente elaborados com descontos de até 20% nas ações. Além disso, as sanções internacionais continuam afetando a movimentação financeira do aplicativo na Rússia.

Sanções internacionais e influência do capital russo

Instituições da União Europeia, Estados Unidos e Reino Unido impuseram congelamentos de ativos ao National Settlement Depository (NSD), da Rússia, após a invasão da Ucrânia em 2022. Essa medida impede que organizações ocidentais negociem títulos russos, afetando diretamente os interesses do Telegram, cujo fundador tenta manter distância do Kremlin ao longo dos anos.

Histórico de Pavel Durov e relação com a Rússia

Nascido na Rússia, Durov é conhecido por ter cofundado, em 2007, a rede social VKontakte, que foi comparada a “Mark Zuckerberg da Rússia”. No entanto, deixou a empresa em 2014 após resistir à cooperação com as agências de segurança russas, vendendo sua participação sob coação. Posteriormente, fundou o Telegram e transferiu sua sede para Dubai, alegando compromisso com a liberdade de expressão.

Por fim, o aplicativo tem enfrentado investigações na França e restrições internacionais, refletindo sua complexa relação com o capital russo e os efeitos das sanções globais.

Fonte

Com informações do Jornal Diário do Povo

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