Tarifa de Trump aumenta tensões nas exportações brasileiras
A fase mais recente da guerra comercial entre os Estados Unidos e o Brasil foi oficializada com a assinatura de uma ordem executiva por parte do presidente americano, Donald Trump. A medida aumenta em 40% a tarifa sobre cerca de 4 mil itens exportados pelo Brasil, elevando o imposto total para 50%, o que impacta significativamente diversos setores industriais e agrícolas do país.
Impacto da tarifa de Trump nas exportações brasileiras
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aproximadamente 44,6% das exportações brasileiras para os EUA — o equivalente a US$ 14,5 bilhões em 2024 — podem ser diretamente afetadas pela sobretaxa. A lista de exceções inclui quase 700 produtos essenciais, como aviões da Embraer, peças aeronáuticas, suco de laranja, castanhas, insumos de madeira, ferro-gusa, minério de ferro, equipamentos elétricos e petróleo.
Por outro lado, itens como café, carne bovina, frutas, têxteis, calçados e móveis permanecem sem a isenção do tarifamento adicional. Essas categorias representam 35,9% do total das exportações brasileiras para os EUA, segundo dados do MDIC.
Setores afetados e respostas do Brasil
Entre os produtos que enfrentam o aumento de tarifas, destacam-se setores estratégicos, como o de alimentos e carnes. O Brasil exportou quase US$ 2 bilhões em café em 2024 para os EUA, um dos principais mercados do produto. Além disso, o setor de carnes bovinas, que embarcou 532 mil toneladas em 2024, pode sofrer uma perda de até US$ 1 bilhão devido às tarifas.
O impacto se reflete também na cadeia de produção de carne, com a Minerva Foods já alertando que a sobretaxa pode reduzir sua receita líquida em até 5%. Quanto às frutas, a associação Abrafrutas advertiu sobre “graves impactos” na competitividade de mangas, uvas e açaí, que representam 90% do volume exportado para os EUA.
Exceções e ajustes na política comercial
Apesar da alta tarifária, o governo americano decidiu deixar de fora aproximadamente 700 produtos, o que corresponde a quase metade do total exportado pelo Brasil. Entre esses itens estão os mais estratégicos e essenciais para o mercado interno americano, como os aviões Embraer, componentes aeronáuticos, suco de laranja, castanhas e algumas matérias-primas de madeira e minerais.
Segundo o ministro do MDIC, Gonçalves Braga, essas exceções visam resguardar interesses comerciais específicos e evitar prejuízos maiores para setores-chave.
Perspectivas futurísticas e novos desafios
Com o aumento das tarifas, o Brasil enfrenta uma fase de ajustes na sua relação comercial com os EUA, além de possíveis consequências na formação de preços internos, como o aumento no valor do hambúrguer, que já atingiu o maior patamar em uma década, conforme a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Especialistas ressaltam que, mesmo antes das tarifas, os preços já estavam elevados nos EUA. A expectativa é que a medida possa reduzir as exportações brasileiras de carne bovina em até US$ 1 bilhão, além de afetar outros mercados importantes de produtos agrícolas e industriais.
Para o setor empresarial brasileiro, o desafio será encontrar alternativas para mitigar os impactos dessa política tarifária dos EUA e fortalecer negociações internacionais, buscando preservar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado global.
Fonte: O Globo Economia
Com informações do Jornal Diário do Povo
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