Tarifa de Trump afeta principais produtos de exportação do Espírito Santo
Mesmo após a flexibilização de alguns itens pelo governo americano, setores do Espírito Santo continuam sendo afetados pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, que retomou parcialmente a taxação de produtos estratégicos do estado. A medida, publicada nesta quarta-feira (30), impacta a exportação de produtos como café, pescados, pimenta-do-reino, gengibre e rochas naturais.
Produtos capixabas ainda sob efeito da tarifa americana
De acordo com o decreto do governo dos EUA, quase 700 produtos tiveram a isenção da tarifa de 50% ampliada, incluindo aço e quartzito. Contudo, itens considerados essenciais para o Espírito Santo continuam sujeitos à sobretaxa, afetando diretamente setores que respondem por uma parcela significativa da economia estadual, como café, pescados e sucos de laranja.
Impactos segmentados na economia do Espírito Santo
Entre os produtos mais exportados do estado, o café se destaca como um dos mais afetados, visto que o Espírito Santo é o maior produtor nacional de café conilon. Os Estados Unidos representam uma das principais portas de entrada dessa commodity, responsável por cerca de US$ 2 bilhões em exportações brasileiras em 2024, sendo 16,7% destinados ao mercado americano.
Desde o anúncio da tarifa, há 22 dias, o Brasil deixou de exportar aproximadamente 500 mil sacas de café para os EUA, o equivalente a 20% do volume destinado ao país, o que deve pressionar ainda mais os preços para o consumidor americano. Segundo o vice-presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), Jorge Nicchio, as negociações continuam e há esforços para redirecionar as vendas a outros mercados, como a Europa e Ásia.
Pimenta-do-reino e gengibre também na lista de afetados
A produção de pimenta-do-reino, maior do Brasil e com forte presença no Espírito Santo, já sentiu uma redução de valor de 12% em decorrência da tarifa americana, que prejudica cerca de 13 mil famílias que dependem do cultivo e exportação do produto. Apesar de apenas 1% das exportações desse item chegar aos EUA, a imposição da taxação afeta a competitividade e a rentabilidade do setor.
O gengibre, outro produto relevante, enfrenta dificuldades adicionais devido à suspensão de contratos e ao não-honramento de compromissos pelos exportadores. A produção capixaba, responsável por 75% do gengibre nacional, é composta majoritariamente por agricultura familiar, atingindo aproximadamente três mil famílias impactadas.
Setor de rochas naturais e pescados também enfrentam desafios
O setor de rochas ornamentais, que representa cerca de 56% do total exportado pelo Espírito Santo, é um dos mais afetados, sobretudo por conta da dependência do mercado externo, sobretudo dos EUA, onde 85% do consumo de pedra natural é importado. Em Cachoeiro de Itapemirim, região referência no setor, mais de 6 mil empregos estão ameaçados.
Já no segmento de pescados, praticamente toda a produção do estado tem destino nos EUA, respondendo por 98% das exportações, que em 2025 totalizaram US$ 5,2 milhões. O impacto negativo é sentido por cerca de 13 mil pessoas que atuam direta ou indiretamente na atividade.
Medidas emergenciais do governo do Espírito Santo
Para suavizar os efeitos do tarifão, o governo estadual está analisando um pacote de medidas, incluindo operações de crédito com prazos longos, carência e juros compatíveis, voltadas a pequenos agricultores e empresas prejudicadas pelas restrições comerciais. Ainda sem detalhes específicos, o objetivo é garantir a manutenção de empregos e a continuidade das atividades econômicas.
Segundo o vice-governador Ricardo Ferraço, o apoio financeiro será destinado a micro e pequenos empresários, especialmente aqueles que dependem do mercado americano. “A contrapartida é a preservação do emprego e da atividade econômica”, ressaltou.
Produtos livres da tarifa americana e perspectivas futuras
De acordo com a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), produtos como óleos de petróleo, ferro fundido, papel, componentes eletrônicos e certos produtos químicos não estão influenciaidos pela tarifa de Trump, garantindo alguma segurança ao setor industrial. A partir do dia 6 de agosto, a nova fase do decreto entrará em vigor, alterando o cronograma de implementação.
Especialistas alertam que o impacto causado pelo tarifão poderá se prolongar, exigindo estratégias de diversificação de mercados e investimentos em inovação para reduzir a vulnerabilidade às políticas comerciais dos EUA, maior parceiro de exportação do Brasil.
Para acompanhar as últimas atualizações sobre o tema, acesse g1 Espírito Santo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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