Tarifa de 50% sobre exportações de carne pode elevar preços no Brasil

A imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre as compras de carne bovina brasileira pode não resultar em menor preço para o consumidor no Brasil. Especialistas dizem que, embora a redução temporária de exportações possa abaixar os preços no curto prazo, a tendência de alta na carne deve prevalecer nos próximos meses devido à diminuição da oferta nacional.

Mercado interno deve enfrentar queda na oferta de carne

Segundo economistas ouvidos pelo g1, a produção de carne no Brasil já vinha prevista para diminuir no segundo semestre por causa do ciclo pecuário, com maior foco na reprodução de fêmeas. A sobretaxa dos EUA reforça essa tendência, pois frigoríficos optam por segurar animais no pasto para evitar perdas na exportação. Como consequência, a quantidade de carne disponível no mercado interno tende a cair, elevando os preços ao consumidor.

“Mesmo sem o tarifão, a redução de abates já era esperada. Agora, o impacto será maior, e os preços poderão subir ainda mais”, avalia Cesar de Castro Alves, gerente de Consultoria Agro do Itaú BBA.

Como estão os preços da carne atualmente?

Dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) indicam que, em junho, o preço da carne bovina caiu 0,35% em relação ao mês anterior. No entanto, na comparação com o mesmo período do ano passado, os preços aumentaram 23,63%. Assim, o cenário de tarifa pode fazer com que os preços nos supermercados fiquem temporariamente mais baixos, para acomodar o que foi abatido visando os EUA.

Impacto da tarifa na oferta de carne e ciclo pecuário

Independentemente da tarifação, o ciclo pecuário já apontava uma redução na oferta, uma vez que pecuaristas priorizavam a reprodução de vacas para o aumento do rebanho. Com a sobretaxa, esse movimento se intensifica, levando a uma menor quantidade de animais sendo abatidos ou engordados, o que, segundo especialistas, deve fazer os preços da carne subir no médio prazo.

“Vamos ver o preço do boi cair, mas, na sequência, a carne vai subir mais ainda”, afirma Alves.

O peso dos Estados Unidos nas exportações brasileiras

Embora os EUA sejam considerados um mercado importante, eles representam apenas 12% das exportações totais de carne brasileira. O Brasil ainda depende de outros destinos, sobretudo a China, que responde por quase metade das vendas externas do setor.

O presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Carne (Abiec), Roberto Perosa, alerta que o país corre o risco de perder US$ 1 bilhão em exportações em 2025 devido às tarifas impostas pelos EUA. Contudo, analistas acreditam que o Brasil consegue redirecionar parte dessas vendas para mercados como o Egito ou o Oriente Médio, onde a demanda por carne continua em alta.

Impacto global e perspectivas futuras

Não apenas no Brasil, mas globalmente, a oferta de carne deve diminuir cerca de 2%, impulsionada também por problemas sanitários em outros países. Nos EUA, a produção deve cair 2,3% em 2025 e 4,1% em 2026, enquanto na Austrália as exportações podem recuar até 8%, segundo o Departamento de Agricultura australiano.

Com menor oferta mundial, a competitividade do Brasil pode melhorar, facilitando a conquista de novos mercados. Analistas apontam que o impacto do tarifão, aliado à redução de produção em outros países, pode, futuramente, favorecer a retomada dos preços mais elevados para a carne brasileira, beneficiando o setor no médio prazo.

Para mais detalhes, confira o artigo completo no g1.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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