Startups adotam política de escritório sem sapatos

Empresas de tecnologia nos Estados Unidos estão implementando uma nova tendência: a cultura do escritório sem sapatos. Algumas startups, incluindo nomes de destaque em inteligência artificial, passaram a solicitar que os funcionários deixem seus calçados na entrada, promovendo maior conforto e um ambiente mais informal.

Startups abraçam a política de não usar sapatos

De acordo com o site noshoes.fun, criado por Ben Lang, várias startups adotaram essa prática, incluindo empresas como Replo e Composite, que atuam no mercado de inteligência artificial. Lang, que trabalha na startup Cursor, afirmou nas redes sociais em agosto que “só trabalhou em startups que têm uma política de não usar sapatos no escritório”.

Algumas companhias oferecem tapetes macios ou até pantufas gratuitas. A Spur, por exemplo, que usa inteligência artificial para verificar sites em busca de falhas, permite que seus funcionários cheguem de chinelos de marca, ajudando a criar uma atmosfera de “segunda casa”, segundo a CEO Sneha Sivakumar.

Razões culturais e econômicas por trás do movimento

Sivakumar explicou que, ao crescer em uma família indiana em Cingapura, ela aprendou a tirar os sapatos como demonstração de respeito pelo espaço. Para ela, essa prática traz ainda o benefício de evitar sujeira e lama, além de ajudar a criar um clima mais relaxado.

Já o economista de Stanford Nick Bloom relaciona essa tendência à “economia do pijama em ação”, uma vez que quem trabalhou de casa durante a pandemia leva hábitos domésticos para o escritório. Bloom também aponta que no Vale do Silício, onde a cultura de trabalho costuma ser mais informal e flexível, o uso de pantufas e meias é comum e até antigo, com alguns profissionais deixando os sapatos para trás à medida que amadurecem.

Influência na cultura corporativa e alguns exemplos

Grandes empresas também tiveram essa experiência. Por exemplo, a startup Notion, fundada em 2016, já adotava a regra de não usar sapatos até alguns anos atrás. A gigante de pagamentos Stripe manteve uma política de “sapatos opcionais” até 2019, conforme revelou o The San Francisco Standard. Por outro lado, a startup de recursos humanos Gusto, fundada em Palo Alto em 2011, relata que a maioria dos seus funcionários preferem continuar de sapatos.

Essa mudança, ao que tudo indica, também influencia a cultura pop. Na série “Mad Men”, o personagem Don Draper incentiva seus funcionários a entrarem de meias, criando um ambiente mais informal, que reflete uma tendência maior de maior liberdade nos escritórios de tecnologia.

Desafios e perspectiva futura

Apesar do crescimento, especialistas como Vanessa Friedman, do New York Times, alertam que a prática pode ser limitada a ambientes mais jovens ou específicos, já que os pés ainda representam uma parte controversa e pouco discutida do corpo. Além disso, Bloom observa que a diversidade etária nos escritórios pode dificultar a adoção generalizada dessa cultura, uma vez que pessoas mais velhas geralmente preferem calçados tradicionais.

Com o boom da inteligência artificial e a busca por uma cultura de trabalho mais jovem, permaneccerá a dúvida se essa tendência se consolidará de forma ampla ou se continuará a ser uma prática restrita a alguns setores específicos.

Para saber mais, acesse o fonte original.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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