Rio de Janeiro pode liderar a transição energética do Brasil

O Rio de Janeiro, berço da indústria petrolífera no Brasil, tem potencial para atuar como um polo central na transição energética do país. Essa mudança é vista como uma oportunidade de diversificação econômica e redução do uso de combustíveis fósseis, essenciais para a luta contra as mudanças climáticas.

Perspectivas de inovação e fontes alternativas de energia no Rio

Além das fontes renováveis tradicionais, como etanol, solar e eólica, o Estado busca outras alternativas, como energia solar térmica, geração offshore (em alto-mar) e captura de dióxido de carbono (CO₂) na costa. Segundo especialistas do setor, essas opções podem ampliar o segmento de energias limpas no estado.

Diálogos RJ mostram o avanço na discussão sobre sustentabilidade

O debate “Transição energética: como o Rio enfrenta o desafio de reduzir os combustíveis fósseis”, promovido pelo jornal O Globo, evidenciou o engajamento de autoridades, empresários e pesquisadores. Segundo Cássio Coelho, secretário de Energia e Economia do Mar, o Rio estuda ampliar incentivos às inovações energéticas, gerando mais investimentos e empregos. “Hoje vejo o Rio avançando como a capital da diversidade energética”, afirmou Coelho no evento.

Quer conferir os principais debates do evento? Assista aqui.

Cássio Coelho, secretário de Energia e Economia do Mar do Estado do Rio de Janeiro — Foto: Leo Martins
Cássio Coelho, secretário de Energia e Economia do Mar do Rio, destaca avanços na diversificação energética — Foto: Leo Martins

Inovações e investimentos no setor energético

Pesquisadores e empresários destacaram o potencial do Rio para diversificar sua matriz energética. Nivalde de Castro, da UFRJ, apontou que o Brasil possui uma capacidade instalada de 200 mil MW de energia elétrica, com potencial inexplorado de até 1,3 milhão MW em solar e eólica. “O Rio tem uma dupla oportunidade: atrair investimentos na geração e no armazenamento de energia”, afirmou.

As ações de energia solar térmica também ganharam destaque. Danielle Johann, da Abrasol, comentou que essa tecnologia, eficiente e de longa durabilidade, poderia substituir parte do consumo de energia para aquecimento de água, especialmente na indústria, onde 80% do consumo é para esse fim. Ela destacou a necessidade de políticas públicas de estímulo em projetos residenciais, industriais e programas como o Minha Casa, Minha Vida.

Eólicas offshore no litoral do Reino Unido — Foto: Ian Forsyth/Bloomberg
Eólicas offshore no Reino Unido refletem o potencial da energia em alto-mar — Foto: Ian Forsyth/Bloomberg

Energia eólica offshore e captura de carbono no horizonte

Especialistas avaliam a geração eólica em alto-mar como uma das principais tendências globais, embora a regulamentação brasileira ainda esteja em desenvolvimento. Rafael Simoncelli, da Ocean Winds, aponta que a tecnologia, considerada uma das maiores “alavancas” da transição energética mundial, deve começar a ser comercializada no Brasil no início da próxima década, devido às etapas necessárias de aprovação e infraestrutura.

Por sua vez, Mauricio Tolmasquim, conselheiro da Eletrobras, destacou o potencial de captura de carbono na costa do Rio. A tecnologia consiste em sequestrar CO₂ de atividades industriais e injetá-lo em aquíferos salinos, evitando sua emissão na atmosfera. “O Rio tem condições geográficas ideais para esse tipo de operação, que pode captar até 20 milhões de toneladas por ano”, explicou.

Captura de carbono na Alemanha — Foto: Gorm Kallestad / NTB / AFP
Unidade de captura de carbono na Alemanha indica o potencial dessa tecnologia — Foto: Gorm Kallestad / NTB / AFP

Desafios e oportunidades na nova economia de energia

O secretário Cássio Coelho reforçou que o Rio busca ampliar incentivos às energias renováveis e estimular a inovação, inclusive com apoio do setor privado. Segundo ele, o estado tem experiência na extração de petróleo e condições geográficas favoráveis, que podem ser aproveitadas na instalação de parques eólicos offshore, com uma infraestrutura já existente.

O setor de energia solar também é visto como uma oportunidade de negócio, com projetos pilotos já em andamento e a meta de expandir a geração de 15 GW no Brasil, incluindo 5 GW no rio. Empresas como a Equinor, da Noruega, atuam no Brasil com investimentos em projetos renováveis, incluindo captura de carbono e geração eólica offshore.

Segundo Nivalde de Castro, o Brasil possui uma capacidade de geração de energia que supera em muito a demanda atual e necessita de avanços na cadeia de produção de baterias e armazenamento. Além disso, reforça a importância de ações para reduzir o desmatamento e fomentar a restauração de áreas degradadas, essenciais para alcançar metas de neutralidade de carbono até 2050.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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